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Os argentinos fazem o que os brasileiros não fariam. Por Moisés Mendes

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Os argentinos fazem o que os brasileiros não fariam. Por Moisés Mendes

A seleção argentina fez o que a brasileira dificilmente faria, se ficasse de vice na Copa. Quase todos os jogadores retornaram ao país nessa segunda-feira e percorreram as ruas de Buenos Aires em ônibus aberto, desses de turismo, porque foram avisados de que seriam bem recebidos.

O jornalista Jonathan Heguier conta em detalhes, no jornal El Destape, como Javier Milei planejou explorar a volta da seleção, se a Copa fosse conquistada pela turma de Messi. O país teria feriado nacional e os jogadores seriam recebidos na Casa Rosada.

O recado que recebeu de volta, enviado dos Estados Unidos, foi este: ninguém irá te ver. Os jogadores fariam festa nas ruas, mas sem envolvimento com o fascista que está quebrando o país, empobrecendo a população, e que tem altos índices de rejeição.

Milei e a irmã, Karina, articularam o feriado e a recepção na sede do governo. Mandaram um aviso à delegação, mas não receberam resposta oficial. Uma do governo disse a Heguier que a seleção não deu retorno formal a Milei.

Mas estava claro que os jogadores não queriam vê-lo, apesar da promessa, que teria constado do convite, de que os ministros do fascista não estariam na Casa Rosada, nem seus assessores, até porque seria feriado. Os jogadores seriam os donos do prédio.

🇦🇷 Seleção argentina, vice-campeã do mundo, passeia em ônibus aberto pelas ruas de Buenos Aires e é recebida por apoiadores. pic.twitter.com/BueFHZDyC6

— Eixo Político (@eixopolitico) July 20, 2026

O convite para que fossem ao governo foi mantido, mesmo com a derrota na final, porque a população e toda a imprensa mantiveram o sentimento de que a seleção fez o que pôde. A insistência foi considerada a segunda barbeiragem.

Em todos os jornais, os jogadores são tratados como heróis da pátria. Há, na imprensa de direita e nos veículos de esquerda, um esforço para mostrar que o time resgatou a identificação da seleção com o país – ao contrário do que aconteceu no Brasil.

O jornalista do Página 12 conta que os jogadores não querem vínculos com Milei e com qualquer outro político. Claro que eles não voltaram para fazer festa, mas para recarregar energias em suas cidades de origem e descansar antes de voltar à Europa e aos Estados Unidos, onde a maioria joga.

Desembarcaram os chefes da delegação, o técnico Lionel Scaloni e os jogadores Dibu Martínez, Julián Álvarez, Enzo Fernández, Lisandro Martínez, Cuti Romero, Lautaro Martínez, Nahuel Molina, Alexis Mac Allister, Leandro Paredes, Nicolás Tagliafico, Gonzalo Montiel, Giovani Lo Celso, Exequiel Palacios, Giuliano Simeone, Nicolás Otamendi e Flaco López. Eram 16 dos 26 jogadores, que percorreram as ruas do aeroporto de Ezeiza até o centro de treinamento da Associação Argentina de Futebol. Messi ficou em Miami e pode viajar para Rosario, sua terra, nesta terça-feira.

A dúvida no início da noite de segunda-feira era esta: Milei continuará insistindo para que os jogadores visitem a Casa Rosada? Hoje saberemos.

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