O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dá início, nesta terça-feira (21), a uma série de reuniões com representantes da indústria brasileira para discutir os impactos da . A iniciativa marca o começo da construção de uma estratégia conjunta entre o governo federal e o setor produtivo para reduzir os efeitos da medida sobre as exportações nacionais.
Os encontros servirão para apresentar as primeiras ações planejadas pelo Executivo, ouvir as demandas dos segmentos mais afetados e ajustar as medidas que deverão compor a resposta brasileira à decisão do governo dos EUA.
Segundo integrantes da Esplanada dos Ministérios, a intenção é construir uma reação coordenada que preserve a competitividade da indústria nacional e minimize os prejuízos às empresas exportadoras.
Primeiras entidades participam das discussões
Na etapa inicial das reuniões, o governo receberá representantes de algumas das principais entidades industriais do país. Entre elas estão:
- Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores);
- Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores);
- Abmaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos);
- Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção);
- Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados);
- Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico);
- Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica);
- Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
A expectativa é que, nos próximos dias, outros segmentos da economia também sejam ouvidos pelo governo para ampliar o diagnóstico sobre os impactos da sobretaxa.
As negociações serão conduzidas principalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob coordenação do ministro Márcio Elias Rosa.
Plano de reação terá duas frentes
As reuniões ocorrerão em torno de duas linhas principais de atuação definidas pelo governo federal.
A primeira consiste na abertura e fortalecimento de novos mercados para os produtos brasileiros que perderão competitividade nos Estados Unidos em razão da tarifa adicional.
A segunda envolve a elaboração de um pacote emergencial de apoio às empresas atingidas pela medida. A proposta é criar uma nova edição do Plano Brasil Soberano, programa que deverá reunir instrumentos para reduzir os impactos financeiros sobre os setores exportadores.
A intenção do governo é calibrar esse pacote a partir das demandas apresentadas pelas entidades empresariais durante as reuniões.
Nos bastidores do governo, a avaliação predominante é de que existe pouco espaço para uma negociação direta com a Casa Branca antes das eleições presidenciais brasileiras de 2026.
Auxiliares do presidente Lula acreditam que o governo dos EUA dificilmente retomará tratativas sobre o tema antes da definição do próximo presidente do Brasil, independentemente de quem vencer a disputa eleitoral.
Diante desse cenário, o Palácio do Planalto considera mais eficaz concentrar esforços em medidas internas de apoio à indústria e na diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Tarifa afeta parte das exportações brasileiras
Levantamentos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que a nova sobretaxa deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado estadunidense.
Segundo os cálculos da pasta, cerca de 57% da pauta exportadora para os Estados Unidos continuará isenta da nova tarifa.
Os outros aproximadamente 24% já estavam submetidos a um regime tarifário distinto, relacionado às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos sobre produtos de aço e alumínio.
Dessa forma, embora a sobretaxa tenha impacto relevante sobre diversos segmentos industriais, ela não alcança toda a pauta exportadora brasileira.
Apex destina R$ 130 milhões para buscar novos mercados
Como parte da estratégia para reduzir a dependência do mercado estadunidense, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) anunciou a reserva de R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos destinos comerciais.
O presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller, informou que parte dos recursos será utilizada para aproximar compradores estrangeiros das empresas nacionais.
Entre as medidas previstas está o financiamento de missões comerciais que permitirão trazer empresários de outros países ao Brasil para negociar contratos diretamente com exportadores brasileiros.
Segundo Müller, o objetivo é acelerar a abertura de novos canais de comercialização para compensar eventuais perdas provocadas pela redução das vendas aos Estados Unidos.
Europa e Ásia são prioridades
A estratégia de diversificação dos mercados será concentrada principalmente em regiões consideradas promissoras para os produtos brasileiros.
Um dos focos será a União Europeia, impulsionada pelo acordo de livre comércio em vigor entre o Mercosul e o bloco europeu, que amplia as oportunidades para diversos setores da economia.
Além da Europa, o governo pretende intensificar ações comerciais junto aos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e também em mercados da Ásia Central, incluindo Uzbequistão e Cazaquistão.
A expectativa é que a ampliação da presença brasileira nesses mercados ajude a reduzir os efeitos do tarifaço imposto pelos EUA e fortaleça a diversificação das exportações nacionais no médio e longo prazo.