Depois de quase uma década de paralisação, as obras da futura Estação Gávea voltaram a ganhar ritmo no Rio de Janeiro. Máquinas operam diariamente e explosões controladas abrem caminho para o novo trecho da Linha 4 do metrô, que tem previsão de inauguração em 2028. A retomada representa um dos principais projetos de expansão do transporte sobre trilhos no estado.
“Havia um plano de integração entre os modais que não foi executado. É preciso racionalizar o transporte público e ter uma política de subsídios efetiva. Retomar investimentos públicos é essencial, inclusive em expansões” , afirmou Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio.
Obra voltou após anos de paralisação
Inicialmente prevista para ser entregue antes dos Jogos Olímpicos de 2016, a estação teve as obras interrompidas em 2015, em meio à crise financeira do Estado e a denúncias relacionadas ao orçamento do projeto. Após cerca de dez anos sem avanços, a construção foi retomada no fim de 2025 e segue em ritmo acelerado.
Atualmente, o trabalho está concentrado na escavação do túnel que ligará a Gávea à estação São Conrado.
Explosões diárias substituem o tatuzão
Ao contrário do restante da Linha 4, a escavação desse trecho não utiliza o tradicional “tatuzão”. O avanço ocorre por meio de explosões controladas.
Primeiro, equipamentos perfuram a rocha para instalação das cargas explosivas. Após cada detonação, que abre cerca de dois metros de túnel, a área recebe estruturas metálicas e revestimento de concreto antes da próxima etapa. Todo o processo acontece a aproximadamente 50 metros de profundidade, exigindo equipamentos de segurança para os trabalhadores.
Investimento e novo cronograma
A retomada da obra foi viabilizada por um acordo entre o Governo do Estado e a concessionária MetrôRio. Pelo entendimento, a empresa investirá R$ 600 milhões na conclusão da estação, enquanto o governo estadual participará com R$ 97 milhões. Em contrapartida, a concessão do sistema foi prorrogada até 2048.
Segundo o cronograma, a etapa de escavação deverá ser concluída até janeiro de 2027, enquanto a inauguração da estação permanece prevista para 2028. Cerca de 70% do trecho entre Gávea e São Conrado já foi escavado.
Linha 4 completa dez anos abaixo da capacidade
A retomada das obras ocorre justamente quando a Linha 4 se aproxima de completar dez anos de operação. Apesar de ser considerada uma das linhas mais confortáveis do sistema, ela transporta cerca de 101 mil passageiros por dia útil, número equivalente a aproximadamente um terço da capacidade inicialmente projetada. Em média, apenas metade dos lugares oferecidos é ocupada.
Especialistas apontam que a pandemia, a expansão do home office, a concorrência dos aplicativos de transporte e a falta de integração entre ônibus e metrô contribuíram para a demanda abaixo do esperado. Também é citada a ausência de uma política de integração tarifária e da reorganização das linhas de ônibus que deveriam alimentar a Linha 4.
Expansão segue parcial
Embora a conclusão da Estação Gávea represente um avanço, o projeto original da Linha 4 continuará incompleto. A ligação entre Gávea e Antero de Quental, no Leblon, permanece sem previsão de execução, pois exigiria a utilização do “tatuzão”, que segue enterrado no trajeto originalmente planejado. Assim, a futura estação funcionará com conexão para São Conrado, mediante baldeação.
Mesmo com limitações, a retomada das obras é vista pelo Governo do Estado como um passo importante para a expansão da malha metroviária fluminense. Além da conclusão da Estação Gávea, a Secretaria Estadual de Transportes informou que aguarda recursos para estudos de viabilidade da futura Linha 3, que poderá ligar a Praça XV, Niterói e São Gonçalo.