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Epidemia de opioides atravessou a Copa nos EUA perto do palco da final

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Epidemia de opioides atravessou a Copa nos EUA perto do palco da final

A epidemia de opioides nos Estados Unidos seguiu visível durante a Copa do Mundo, inclusive perto do MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final entre Argentina e Espanha. A menos de 30 minutos de East Hanover, cidade onde a seleção espanhola treinou antes da decisão, Paterson concentra sinais extremos da crise de dependência, overdoses e atendimento emergencial. Com informações do Uol.

Os opioides incluem analgésicos potentes e altamente viciantes, como morfina e heroína. A crise norte-americana se agravou com a disseminação do fentanil, opioide sintético cerca de 100 vezes mais potente que a morfina e 50 vezes mais forte que a heroína.

Em 2023, auge recente da crise, os Estados Unidos registraram 110 mil mortes por overdose. A estimativa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para 2025 aponta pelo menos 70 mil mortes, uma queda em relação ao pico, mas ainda em patamar elevado.

Paterson, antigo polo industrial de Nova Jersey, perdeu força econômica após a desindustrialização iniciada nos anos 1970. A cidade tem taxa de pobreza de 21,5%, mais que o dobro da média nacional, reúne 29% da população do condado de Passaic e responde por 55% das internações relacionadas a opioides.

No centro de Paterson, usuários de heroína permanecem nas ruas durante o dia, e a maior parte das overdoses ocorre em uma área que corresponde a apenas 2% do território municipal. Em terminais de ônibus e esquinas, quiosques parecidos com bancas de jornal oferecem naloxona, também conhecida como Narcan, medicamento usado como antídoto em overdoses de opioides.

As caixas de naloxona ficam disponíveis gratuitamente à população, com aviso de “revenda proibida”. Jovens retiram unidades dos quiosques sob observação da polícia, enquanto organizações locais assumem boa parte dos esforços de acolhimento, tratamento e redução de danos.

A Eva’s Village, fundada em 1982, ocupa quase três quarteirões no epicentro da crise em Paterson e oferece atendimento médico, tratamento para abuso de substâncias, acompanhamento psiquiátrico, alimentação e programas de reinserção social.

“As pessoas que entram em tratamento geralmente carregam traumas, vergonha e luto”, afirmou Ruth Jean Marie, chefe de serviços clínicos e compliance da entidade.

Ruth disse que o julgamento prejudica o vínculo com pacientes em dependência química. “Quando as recebemos com julgamento, o engajamento com o tratamento diminui, a retenção diminui e o risco de overdose aumenta”, afirmou.

A entidade atende mais de 3 mil pessoas em situação de abuso de substâncias por ano, mantém mais de 20 programas e serve mais de 300 mil refeições anuais à população vulnerável de Paterson e de Nova Jersey. Em Newark, a North Jersey Community Research Initiative também atua em Paterson com pessoas em situação de rua e abuso de substâncias.

A enfermeira Dana Robertson, da organização, defende que o tratamento precisa enfrentar a origem da dependência: “A maconha não é a porta de entrada para as drogas, o trauma é. Você não vai parar num lugar como este porque estava se divertindo”.

A epidemia começou dentro dos consultórios, com analgésicos à base de opioides desenvolvidos pela indústria farmacêutica e anos de prescrições descontroladas, sobretudo entre 1996 e 2012. As prescrições e vendas desses medicamentos quadruplicaram nos EUA entre 1999 e 2010; em 2000, as vendas do OxyContin passaram de US$ 1 bilhão.

O CDC declarou oficialmente as overdoses de opioides como epidemia em 2011, e o endurecimento das regras avançou de forma gradual até 2016. O avanço do fentanil a partir de 2013 ampliou o alcance da crise.

Em 1999, a substância causou 3 mil mortes nos EUA; em 2023, o número chegou a 72,7 mil. O fentanil e outros derivados sintéticos respondem hoje por 69% das mortes por overdose no país, enquanto entidades como a NJCRI distribuem seringas limpas e descartam material usado. “Tenho certeza que algumas pessoas podem desaprovar, mas qual a alternativa? Devemos abandonar toda uma geração de pessoas?”, disse Dana.

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