Pular para o conteúdo

Sakamoto: Green card de Eduardo Bolsonaro custou 30 moedas de prata

sakamoto:-green-card-de-eduardo-bolsonaro-custou-30-moedas-de-prata
Sakamoto: Green card de Eduardo Bolsonaro custou 30 moedas de prata

Por Leonardo Sakamoto no Uol

O green card concedido pelo governo Donald Trump a Eduardo Bolsonaro é uma boa síntese de como funciona o patriotismo da família, um sentimento de orgulho, amor, lealdade e devoção a si mesma. O documento permite ao ex-deputado morar, trabalhar e estudar por tempo indeterminado nos EUA, mas sem obter a cidadania norte-americana. Também torna ainda mais distante a possibilidade de que seja extraditado para cumprir no Brasil a pena de quatro anos e dois meses de prisão.

Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo por atuar em território norte-americano para pressionar o governo Trump a impor sanções contra o Brasil na tentativa de interferir no julgamento que condenou seu pai por tentativa de golpe. Com a ajuda dele, no ano passado, os EUA moveram um tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros que atingiu empregos e empresas por aqui.

Trump não fez isso pelo amor que sente pelos Bolsonaros, claro. Ele usou Eduardo para aplicar medidas protecionistas a fim de arrancar concessões comerciais do Brasil. Mas o ex-deputado sabia disso, mas não se importou e até contou vantagem por ter sido usado.

Agora, quem trabalhou para punir o próprio país ganha residência no país que aplicou a punição. É a versão moderna das 30 moedas de prata contada pelo Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 14 a 16.

Na semana passada, Trump confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Cerca de 20% do que vendemos aos Estados Unidos deverá ser atingido. Esse foi o segundo round de tarifaço, agora para forçar o Brasil a fazer novas concessões comerciais aos EUA, limitar o Pix, beneficiar Big Techs e ajudar Flávio Bolsonaro, que teria alinhamento automático a Washington, a ser eleito presidente.

Isso foi feito após visita do deputado federal e do seu irmão senador à Casa Branca. Não por acaso, Flávio pediu ao secretário de Estado Marco Rubio a “suspensão” das tarifas até a eleição e não o seu cancelamento. O problema, portanto, não é a destruição de empregos e empresas, mas a ação ajudar Lula a vestir a camisa da soberania nacional.

A recompensa é individual, já o prejuízo, coletivo. Eduardo tanto fez em prol do Tio Sam que ganhou o direito de morar nos Estados Unidos. Enquanto isso, empresários brasileiros ganharam a missão de encontrar novos mercados às pressas. E trabalhadores ganharam o medo de perder o salário.

No patriotismo bolsonarista, o Brasil é sempre o refém oferecido em troca da liberdade da família. O green card ficou com Eduardo — que, ao que tudo indica, tem dinheiro de sobra para garantir uma estadia de qualidade master. A fatura, como de costume, chegou para nós.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.