A televisão estatal húngara suspendeu temporariamente sua programação jornalística para iniciar um processo de reestruturação, com o objetivo de se tornar uma de informação “independente e confiável”. Essa decisão ocorre após 16 anos sob a influência do governo de Viktor Orbán.
Na terça-feira, o canal M1, principal veículo de comunicação pública, substituiu seu noticiário por uma tela preta com uma mensagem impactante: “A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos.” Essa mudança reflete as primeiras ações do novo governo, liderado por Péter Magyar, que assume o poder com a promessa de reorganizar o Estado e remover a influência deixada por Orbán.
Magyar, o novo primeiro-ministro, caracterizou essa suspensão como “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas”. Ele iniciou sua gestão em 9 de maio e desde então tem defendido uma reestruturação do Estado para eliminar a influência de Orbán. O governo de Magyar também tem se concentrado em combater a corrupção e remover a “máfia” de Orbán do Estado húngaro, através de uma iniciativa chamada “Operação Fogo Purificador”, que inclui uma reforma constitucional para prevenir futuras concentrações de poder.
Essas mudanças têm implicações significativas na relação da Hungria com a União Europeia. O governo de Magyar busca desbloquear 16 bilhões de euros em fundos europeus congelados devido ao conflito entre Bruxelas e o governo anterior. Analistas políticos, como Zsuzsanna Végh, do German Marshall Fund dos Estados Unidos, veem essas iniciativas como um sinal claro do fim do modelo de intimidação e propaganda de Orbán. No entanto, o partido de Orbán reagiu, acusando Magyar de tentar estabelecer um “comando autocrático”.
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