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Cesta básica fica mais barata em 26 capitais, mas ainda pesa no bolso de quem ganha salário mínimo

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Cesta básica fica mais barata em 26 capitais, mas ainda pesa no bolso de quem ganha salário mínimo

O preço dos alimentos deu um alívio ao orçamento das famílias brasileiras em julho. O custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais do país na comparação com junho, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A redução foi disseminada pelo país e teve como principal destaque Natal, onde o conjunto de produtos essenciais ficou 7,95% mais barato em apenas um mês. Maceió e Cuiabá também apresentaram recuos próximos de 7%.

São Luís seguiu na direção contrária. A capital maranhense foi a única entre as 27 pesquisadas a registrar aumento em julho, com avanço de 0,30%.

Apesar da queda generalizada no mês, os números mostram que a alimentação continua representando uma parcela elevada das despesas dos trabalhadores, principalmente nas cidades onde a cesta se aproxima dos R$ 1 mil.

Mesmo com a redução dos preços observada em julho, São Paulo permaneceu no topo do ranking das capitais com maior custo para adquirir os alimentos básicos.

Na capital paulista, a cesta chegou a R$ 915,01 no mês. O valor representa mais da metade do salário mínimo nacional de R$ 1.621.

O levantamento considera produtos essenciais presentes na alimentação cotidiana, entre eles carne, leite, feijão, arroz, farinha, frutas e café. A composição permite medir quanto uma família precisa desembolsar para manter o consumo básico de alimentos.

A pesquisa também acompanha a quantidade de horas que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisa cumprir para conseguir comprar os produtos.

Tomate, batata, café e açúcar puxam queda

A redução observada em julho está associada principalmente ao comportamento dos preços de alguns dos produtos que compõem a cesta.

Tomate, batata, café e açúcar estiveram entre os itens que contribuíram para a diminuição do custo total. Dependendo da capital, o recuo de determinados alimentos foi particularmente acentuado.

Em algumas cidades, por exemplo, o tomate acumulou queda superior a 30% em apenas um mês. Como o produto tem peso na composição da cesta, a redução ajudou a puxar o resultado geral para baixo.

O movimento mostra como oscilações significativas em produtos agrícolas podem alterar rapidamente o valor final pago pelos consumidores.

O recuo mensal, porém, ainda não foi suficiente para eliminar a alta acumulada ao longo de 2026.

Cesta acumula alta em todas as capitais no ano

Embora julho tenha apresentado uma redução quase generalizada, a comparação com o início do ano mostra um cenário diferente.

Todas as capitais brasileiras ainda registram aumento no preço da cesta básica no acumulado de 2026. Em algumas localidades, a elevação supera 10%.

A comparação com julho de 2025 também revela que o custo dos alimentos continua pressionado. Na maior parte das capitais, a cesta está mais cara do que há um ano.

Os dados indicam que a queda observada entre junho e julho representa um alívio de curto prazo para as famílias, mas ainda não configura uma reversão completa da trajetória de alta acumulada nos meses anteriores.

A evolução dos preços dos alimentos tem impacto especialmente significativo entre as famílias de menor renda, já que os produtos básicos representam uma parcela maior de seus gastos mensais.

Trabalhador precisa de 100 horas para comprar alimentos

A redução de julho também diminuiu o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta básica.

Segundo o levantamento, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisava trabalhar, em média, 105 horas e 51 minutos em junho para comprar os alimentos pesquisados.

Em julho, essa quantidade caiu para 100 horas e 24 minutos, uma redução de 5 horas e 27 minutos.

Apesar da melhora em relação ao mês anterior, o trabalhador ainda precisa dedicar mais tempo à aquisição da cesta do que no mesmo período de 2025. Em julho do ano passado, eram necessárias, em média, 103 horas e 40 minutos de trabalho.

A diferença evidencia que o alívio observado no último mês não eliminou completamente a pressão acumulada sobre o poder de compra.

Salário mínimo necessário seria de R$ 7,6 mil

O Dieese também calcula mensalmente qual deveria ser o valor do salário mínimo necessário para atender às despesas de uma família de quatro pessoas.

Em julho, o valor estimado chegou a R$ 7.687,01.

O montante corresponde a 4,74 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621. O cálculo leva em consideração não apenas alimentação, mas outras necessidades previstas para uma família, como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

A diferença entre o piso oficial e o valor calculado pelo Dieese ajuda a dimensionar o peso dos gastos essenciais sobre a renda dos trabalhadores.

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