A Polícia Federal apreendeu 26 armas e mais de 700 munições na casa do ex-deputado estadual e delegado federal aposentado Raimundo Cutrim, de 72 anos, durante busca autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a coluna de Carlos Madeiro no UOL. Ele entrou na investigação que apura perseguição e difamação contra o ministro Flávio Dino.
O mandado alcançou Cutrim na terça-feira (11), no inquérito sobre stalking contra Dino. A PF chegou ao ex-parlamentar após analisar materiais recolhidos em março com o blogueiro maranhense Luís Pablo, também investigado no caso.
A investigação suspeita que Cutrim financiou publicações e ações direcionadas a Dino. Informações obtidas pela PF apontaram que Luís Pablo teria recebido ao menos R$ 100 mil, valor que os investigadores passaram a examinar pela possível ligação com a perseguição ao ministro.
Cutrim também é investigado em outro processo no STF, sob relatoria de Dino, que trata do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira, ocorrido em agosto de 2022 em São Luís. Ele cumpre prisão domiciliar desde 19 de julho, por suspeita de coação de testemunhas e obstrução de processo.
Investigação relaciona postagens sobre Dino a outro processo no STF
A apuração sobre stalking começou depois que a segurança institucional de Dino comunicou ao Supremo a suspeita de monitoramento ilegal de seus deslocamentos em São Luís. Em 26 de novembro de 2025, Luís Pablo publicou imagens do carro oficial usado pelo ministro, incluindo a placa e nomes de agentes de segurança, quando Dino estava com familiares em compromisso particular.
O blogueiro alegou interesse público na divulgação, sob o argumento de que o veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão estaria em uso pessoal. STF e TJ-MA afirmaram que a cessão de carros para a segurança de ministros fora de Brasília segue regulamentação do Conselho Nacional de Justiça.
Após a busca em sua residência, Luís Pablo defendeu sua atuação e afirmou: “Luís Pablo reafirma seu compromisso com o exercício responsável do jornalismo, com a apuração de fatos de interesse público e com o respeito aos princípios constitucionais e convencionais que garantem a liberdade de imprensa e o direito à informação.” A decisão de Moraes, porém, trata da suspeita de crimes, e não do exercício jornalístico.
No outro inquérito, a PF apura suspeitas de que Cutrim tentou convencer familiares de Gilbson César Soares Cutrim Júnior a alterarem declarações sobre o assassinato de João Bosco. Gilbson recebeu condenação de 13 anos, um mês e 15 dias de prisão pelo crime, e a possível participação de um mandante tramita sob sigilo no STF.