Registros publicados nas redes sociais dão conta do desembarque do principal influenciador da ultradireita argentina em solo brasileiro, levantando fortes suspeitas levantadas pelo jornalista e assessor parlamentar Rogério Tomaz Jr. de que uma operação coordenada de desestabilização, provocação ou criação de narrativas possa estar em andamento.
O alerta foi dado publicamente por Rogério, especialista em política argentina, que chamou a atenção para uma sequência de postagens feitas por Mariano Pérez, propagandista predileto de Milei no YouTube.
Antes de embarcar em um voo da Turkish Airlines com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, Pérez postou no X uma foto do ministro Alexandre de Moraes acompanhada da legenda “SOCORRO”. Há ainda várias postagens dele de sua chegada a São Paulo.
Daniel Parisini, conhecido como “El Gordo Dan” e apontado como liderança das redes digitais governistas em Buenos Aires, passou a divulgar que Pérez estaria “incomunicável” há mais de 24 horas.
A movimentação tem os traços de uma encenação pré-fabricada — uma tática para simular sequestros, perseguições ou supostos abusos de autoridade dentro do Brasil, visando alimentar a militância nas redes sociais e criar atrito internacional.
Rogéro também ressalta que a investida em território brasileiro não busca apenas intervir na política local, mas funciona principalmente como uma tentativa de desviar o foco da crise política e econômica enfrentada por Javier Milei na Argentina, onde a aprovação do seu governo caiu para a casa dos 33%.
⚠️⚠️⚠️⚠️ ALERTA para possível operação da extrema direita argentina dentro do território brasileiro. Depois de Milei vir ao ato dos milicianos bolsonaristas no final de semana passado para ofender Lula (o que tirou pontos de TariFlávio BolsoMaster nas pesquisas), um militante… pic.twitter.com/YtRAMRZa9W
— Rogério Tomaz Jr. (@rogeriotomazjr) August 2, 2026
Quem são os influenciadores envolvidos na ação
Médico geneticista de formação, Daniel Parisini construiu sua projeção pública na internet sob o pseudônimo “Oso Gordo Intenso”, que mais tarde derivou para “El Gordo Dan”. Hoje, ele é considerado o grande articulador e o “chefe” informal do aparato de militância digital do governo Milei.
- Máquina de desinformação: Parisini utiliza suas plataformas digitais para pautar a retórica do governo e atacar opositores. Plataformas de checagem de fatos na Argentina, como a Chequeado, desmentiram conteúdos fabricados por ele em diversas ocasiões. Entre os casos de maior repercussão está a divulgação de um print falso de WhatsApp simulando uma suposta insatisfação de médicos residentes com seus sindicatos durante uma greve no Hospital Garrahan.
- Discurso extremista: Parisini comanda o programa La Misa, transmitido pelo canal de streaming Carajo (termo que não sai da boca de Milei). A atração atua como um espaço de agressão verbal sistemática contra adversários políticos, minorias e jornalistas. Em transmissões no programa, Parisini e seus colaboradores já associaram publicamente a homossexualidade à pedofilia, sem apresentar qualquer evidência.
- Escândalos e financiamento: Embora adote uma postura de ataque ao Estado sob o rótulo de “liberal libertário”, denúncias indicam que Parisini obteve empréstimos milionários junto a bancos estatais e possui familiares empregados em estruturas do governo argentino. Além disso, ele foi denunciado por promover a criptomoeda “$LIBRA” — um ativo apresentado como financiador de empresas argentinas que sofreu uma valorização artificial seguida por um colapso financeiro.
Com apenas 25 anos, Mariano Pérez é o youtuber mais influente da ultradireita argentina. Seu canal, Break Point, reúne mais de 1,6 milhão de inscritos e serve como um dos principais amplificadores do estilo de comunicação agressivo do presidente argentino.
- Tática da provocação: A atuação de Pérez consiste em ir pessoalmente a manifestações de oposição — como atos universitários ou sindicais — utilizando terno, gravata e tênis esportivo para abordar manifestantes e figuras políticas com perguntas confrontativas. Ele opera sob um protocolo estrito em que seu camarógrafo jamais deve parar de filmar, especialmente se houver agressões. O objetivo é gerar episódios de hostilidade que possam ser editados, viralizados e monetizados nas redes sociais.
- Projeção e militância: Pérez acompanha a trajetória de Milei desde 2021, quando o atual presidente ainda dava aulas de economia em calçadas durante a campanha legislativa. Ele usa sua audiência para promover narrativas radicais, tendo chegado a defender publicamente o assassinato do presidente venezuelano Nicolás Maduro como uma “opção interessante” e declarando no passado que “ladrões deveriam ser mortos”.
- Rede de engajamento: Em episódios em que foi insultado ou agredido verbalmente em protestos públicos na Argentina, Pérez conseguiu picos de audiência e ganhos de milhares de seguidores, contando com a defesa imediata e direta do próprio Javier Milei nas redes.
La Odisea. La historia completa cuando llegue a editar todo y subirlo el dia que encontremos refugio. pic.twitter.com/0ZZka5jhe0
— Mariano Pérez (@marianoperez912) August 1, 2026