O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não responder formalmente aos ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, proferidos durante a convenção do PL no último sábado (25), em São Paulo. De acordo com a colunista Mônica Bérgamo, da BandNews, a avaliação no Palácio do Planalto é que um “peso pesado” como Lula não pode entrar no ringue com um “peso pena”, como definem auxiliares próximos o mandatário argentino.
Milei ofuscou a convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ao proferir duras críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerando uma crise diplomática entre os dois países.
Segundo Bérgamo, o Itamaraty já adotou medidas sem precedentes na relação bilateral: o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado para prestar esclarecimentos, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires foi chamado a Brasília para consultas.
“Chamar um embaixador do Brasil em Buenos Aires à Brasília para consultas é algo sem precedentes na história dos dois países”, afirmou a jornalista.
Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira após as falas de Milei e autorizou o Itamaraty a subir o tom pelas vias diplomáticas, mas determinou que ele próprio não entraria em confronto direto com o argentino.
“De acordo com auxiliares próximos de Lula, foi combinado que ele se preservaria, porque na visão do governo, um peso pesado não pode entrar no ringue com um peso pena. Assim é feita a avaliação. O Lula seria o peso pesado e o Milei, o peso pena. Integrantes do governo dizem ainda que o Lula não pode discutir com um candidato a gerente do Trump na América Latina”, explicou a jornalista
▶️ MÔNICA BERGAMO: Governo avalia Milei como “peso pena” e decide que Lula não rebaterá diretamente
Auxiliares combinaram que Lula se preservará das ofensas na convenção do PL, evitando entrar no “ringue” com quem chamam de candidato a “gerente do Trump” na região. A convocação… pic.twitter.com/U2bhqDTl3R
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Integrantes do governo e da diplomacia avaliaram que Milei atua como um “candidato a gerente do Trump na América Latina”, e que responder aos ataques seria cair na armadilha criada pelo presidente argentino, que tenta atrair Lula para um embate público sem sucesso.
Apesar da decisão de não responder formalmente, Mônica Bérgamo observou que Lula pode, eventualmente, em pronunciamentos ou entrevistas, fazer uma ironia ou dar uma indireta, mas não haverá uma resposta oficial como chefe de Estado. Em conversas reservadas, o presidente brasileiro ressaltou a importância da relação centenária entre Brasil e Argentina, destacando que, por maiores que sejam as divergências, os dois povos são irmãos e compartilham interesses comuns.
“Nós somos povos irmãos com interesses comuns”, teria dito Lula, citando também o intenso fluxo turístico entre os países, que faz da Argentina a principal origem de turistas estrangeiros no Brasil, representando mais de 36% do total.