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Evento dos EUA no Rio é interrompido por protesto contra políticas de Trump sobre HIV

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Evento dos EUA no Rio é interrompido por protesto contra políticas de Trump sobre HIV

Ativistas interromperam neste domingo (26) um evento do governo dos Estados Unidos na Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, em protesto contra a nova política global de saúde do governo Donald Trump para o combate ao HIV.

O protesto ocorreu durante a apresentação da “America First Global Health Strategy”, feita pelo coordenador interino de Aids global dos EUA, Jeff Graham. Manifestantes tomaram o microfone, usaram apitos e gritaram frases como “vocês mentem, pessoas morrem” e “restaurem o Pepfar”, sigla do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids.

Asia Russell, da organização HealthGAP, disse que as interrupções no Pepfar e na ajuda global de saúde criaram uma emergência de saúde pública. “Há meses existe uma emergência de saúde pública causada pelas interrupções mortais do seu governo na programação do Pepfar e na ajuda global de saúde, e não vamos permitir que esse fato seja apagado”, afirmou.

A médica Rebecca Bunnell, vice-coordenadora da implementação do Pepfar e segunda no comando da coordenação global de Aids estadunidense, respondeu a uma pergunta sobre a exclusão de populações-chave do novo modelo, como trabalhadoras sexuais, homens que fazem sexo com homens e pessoas que usam drogas injetáveis. “Não podemos esquecer nenhum grupo, porque se esquecermos, vamos fracassar”, disse. “Não conseguiremos deter a epidemia se não tivermos serviços para todas as pessoas em risco.”

Hoy se inaugura en Rio, Brasil, la Conferencia Mundial de Sida. Sol radiante y 26º de máx. 🌞🌞🌞💃🕺💃🕺
Debut con protestas por el impacto de los cortes a la estrategia PEPFAR, con la eliminación de miles de servicios e interrupción de tratamientos 👇 pic.twitter.com/mv7QR4zLb8

— Nora Bär (@norabar) July 27, 2026

Estudo apontou fechamento de serviços de HIV

A declaração de Bunnell ocorreu uma semana depois da divulgação do Pepfar Pulse Study, levantamento conduzido pela amfAR e apresentado pela IAS, que mediu os efeitos das mudanças promovidas pelo governo Trump. O estudo identificou 1.714 unidades de serviço de HIV fechadas no mundo, mais de mil delas em estabelecimentos públicos de saúde.

Entre os parceiros que ofereciam tratamento de HIV, mais de 1 em cada 5, ou 21%, suspendeu de forma permanente ao menos uma atividade de cuidado clínico ligada à doença, aponta o levantamento. Na mesma sessão, a diretora-geral da Agência Nacional de Controle da Aids da Nigéria, Temitope Ilori, confirmou que a nova política interrompeu programas voltados a essas populações no país, embora vários tenham sido depois absorvidos pelo governo nigeriano.

Russell também criticou os memorandos de entendimento bilaterais defendidos pelos EUA sob os termos de “propriedade do país” e “autossuficiência” na resposta à Aids. “Sejamos honestos. Esses são acordos bilaterais coercitivos que expulsam propositalmente as pessoas com HIV da mesa de negociação para tentar extrair riqueza mineral, extrair dados, extrair o que quer que a administração Trump queira”, afirmou.

Graham negou relação entre os memorandos e a exploração de minerais críticos e disse que “não há menção a minerais críticos em nenhum MoU”. Acordos de saúde com República Democrática do Congo e Guiné foram assinados paralelamente a acordos minerais, enquanto o memorando com a Zâmbia teria fracassado por divergências sobre acesso dos EUA a minerais; no caso da Nigéria, o governo local investe US$ 3 bilhões contra US$ 2 bilhões dos Estados Unidos, e Graham citou um fundo de resiliência de transição para dificuldades no caminho até a autossuficiência.

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