O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve participar do primeiro debate entre candidatos à Presidência, marcado pela Band para 16 de agosto, segundo integrantes de sua campanha. A decisão é relevante porque o encontro abriria a temporada de confrontos diretos entre presidenciáveis na televisão.
A equipe do petista se reuniu na semana passada para definir a presença de Lula no debate. Auxiliares apontam três fatores principais na avaliação interna: o resultado da pesquisa Datafolha, o risco de desgaste no formato e um compromisso político já previsto para a mesma data.
O levantamento Datafolha divulgado em 24 de julho mostrou Lula com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que apareceu com 43%. O resultado entrou no cálculo da campanha sobre a necessidade de exposição do presidente no início da rodada de debates.
Na leitura dos aliados, a vantagem numérica reduz a pressão para que Lula participe do primeiro confronto televisivo. A avaliação é que a ausência evita uma exposição antecipada em um momento em que a campanha considera não haver obrigação estratégica de comparecer à Band.
Datafolha, desgaste e agenda entraram na decisão
Outro ponto citado por integrantes da campanha é o risco de Lula se tornar o principal alvo dos adversários. Como ele seria o único candidato do campo da esquerda no debate, aliados avaliam que os demais concorrentes tenderiam a concentrar ataques contra o presidente.
A agenda também pesa na decisão. Lula deve participar, no mesmo dia do debate da Band, de um ato político já programado, o que cria um conflito com a presença no estúdio da emissora.
Interlocutores do presidente defendem que, se Lula comparecer a apenas um debate durante a campanha, a prioridade seja o promovido pela TV Globo. O encontro da emissora é tratado pela campanha como o de maior audiência e de maior impacto eleitoral.
A ausência de Lula no debate da Band, se confirmada, deixará o primeiro confronto presidencial sem o candidato que lidera a pesquisa Datafolha citada pelos aliados. O evento segue marcado para 16 de agosto.