O deputado federal Lindbergh Farias apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro por possíveis irregularidades ocorridas durante a Convenção Nacional do Partido Liberal, realizada no sábado (25), em São Paulo. O parlamentar confirmou a iniciativa em um vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (26).
Segundo Lindbergh, a ação enviada à PGR reúne questionamentos sobre possíveis crimes eleitorais e atos que, na avaliação dele, poderiam representar lesão à soberania nacional durante o evento que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência da República.
No vídeo, o deputado também comentou a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção. Lindbergh afirmou que a participação de um estrangeiro em um evento político com pedido de apoio eleitoral precisa ser investigada.
“Primeiro, o Artigo 337 do Código Eleitoral proíbe a participação de estrangeiros. O Milei esteve lá, xingou todo mundo, falou um bocado de palavrão, pediu voto para Flávio Bolsonaro. Isso é proibido”, declarou o deputado.
Outro ponto citado pelo parlamentar foi a exibição de uma reprodução feita por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro durante a convenção. Para Lindbergh, a utilização do recurso poderia representar uma tentativa de contornar a suspensão dos direitos políticos do ex-presidente.
“Jair Bolsonaro tem os direitos políticos suspensos. Ele foi condenado. Então, usar ele com inteligência artificial foi uma forma de burlar essa suspensão dos direitos políticos. Tem que ter uma decisão, porque daqui a pouco eles vão usar na propaganda eleitoral alguém que está com os direitos políticos suspensos. É impressionante”, afirmou.
Lindbergh também criticou a aproximação do grupo bolsonarista com lideranças internacionais, citando Donald Trump, Marco Rubio e Javier Milei. Segundo o deputado, a busca por apoio externo deveria ser analisada diante do processo eleitoral brasileiro.
“Eles falam de ingerência externa em todo o processo eleitoral, apelam para os Estados Unidos, para o Trump, para o Marco Rubio”, disse.
URGENTE. Acabamos de entrar na PGR contra Flávio Bolsonaro pelos vários crimes que ele cometeu ontem na Convenção do PL. Usou Bolsonaro por IA e Milei pediu voto pra ele, o que é proibido por nossa legislação eleitoral. O crime mais grave é o pedido para que Trump e os EUA… pic.twitter.com/VCw9BmBKll
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 26, 2026
Durante a manifestação, o deputado ainda comentou uma cena protagonizada por Flávio Bolsonaro durante a convenção, quando o senador apareceu dançando com uma tesoura em referência ao símbolo utilizado por Milei durante sua campanha presidencial na Argentina.
“Na campanha do Milei ele usava uma motosserra, falando dos cortes [de gastos]. Ontem apareceu esse Flávio Bolsonaro, que não tem nada na cabeça, com uma tesoura, dançando com um ‘tesouraço’. Vocês sabem o que aconteceu na Argentina? Os cortes na educação são de 36% do orçamento. Na saúde, 34%. Sabe de quanto foi a redução do salário mínimo na Argentina? 38%. É isso que eles estão planejando aqui para o Brasil. Tarcísio já disse: ‘é preciso alguém que tenha coragem de fazer os cortes, como o Milei fez’”, afirmou.
O deputado também comparou as políticas defendidas por setores ligados ao bolsonarismo com debates trabalhistas no Brasil. Ele citou a discussão sobre o fim da escala 6×1 e fez críticas às mudanças trabalhistas adotadas pelo governo argentino.
“Enquanto a gente está lutando aqui pelo fim da escala 6×1, na Argentina eles aprovaram que o trabalhador pode trabalhar até 12 horas por dia. É uma vergonha, um retrocesso. Ele [Milei] não tem o que falar do Brasil”, declarou.
Ao final da gravação, Lindbergh voltou a criticar a presença de aliados internacionais na convenção do PL e afirmou que as condutas analisadas na representação ultrapassam questões eleitorais.
“Aí fica Trump, Milei – que está com uma desaprovação de 60% – até o criminoso, o genocida Benjamin Netanyahu, que é detestado no mundo inteiro pelo genocídio na Faixa de Gaza, detestado dentro de Israel, porque responde por vários processos de corrupção… Mais um crime eleitoral do Flávio Bolsonaro. Mas o maior crime não é esse. É traição à pátria, tentar uma intervenção estrangeira para prejudicar o processo eleitoral brasileiro”, concluiu o deputado.