A dedicação de Michelle ao marido que ela chama de galego acaba por expô-lo como uma pessoa fragilizada física e mentalmente. Bolsonaro é cada vez mais o esposo de Michelle e cada vez menos o líder da extrema direita brasileira.
Michelle disse em vídeo na convenção do PL que não pode sair casa e deixá-lo sozinho. O Globo informou que Bolsonaro precisa de alguém para que tome os remédios nos horários determinados. E que não tem condições de ficar sem ninguém por perto por mais de três horas.
A própria família apresenta o ex-líder poderoso como uma figura sem autonomia, quando deveria lutar pela preservação da sua imagem de fortaleza imbatível, de macho golpista, armamentista, negacionista, terrivelmente hétero e imbrochável.
O homem que fazia arminha com os dedos e prometia acabar com os inimigos na ponta da praia. Que articulou um golpe, abandonou os manés em Brasília e fugiu para os Estados Unidos para retornar de lá mais forte. Esse homem não existe mais.
Como Bolsonaro poderia comandar a campanha do filho ungido, articular arranjos nos Estados e continuar conspirando, se não pode ficar em casa sozinho vendo Merval Pereira na GloboNews?
O que Michelle e os enteados disseram no encontro é que Bolsonaro deve ser visto cada vez mais como uma liderança fora de ação. Que seu rebanho passe a se dedicar apenas à exaltação do que sobrou do mito.
Michelle se fortalece como mulher ajudadora, que dá prioridade aos cuidados do seu galego, mas termina diminuindo a figura de Bolsonaro e antecipando sua morte política.
O vigarista Javier Milei, que quebrou a Argentina e é investigado como integrante de uma quadrilha de criptomoedas, pode ter assumido ontem a liderança da extrema direita no Brasil.