O partido Unidade Popular (UP) oficializou neste domingo (26) a candidatura de Samara Martins à Presidência da República para as eleições de 2026, informa o portal g1. Dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), Samara volta a disputar uma eleição presidencial após ter integrado, como candidata a vice-presidente, a chapa encabeçada por Léo Péricles em 2022.
A legenda também confirmou a guarda-portuária Raquel Brício, do Pará, como candidata à Vice-Presidência, formando uma chapa exclusivamente feminina. A oficialização ocorreu durante convenção nacional realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.
Além de dirigentes e filiados, o evento reuniu 13 candidatos da legenda aos governos estaduais. Desse total, 11 são mulheres, reforçando a estratégia do partido de ampliar a participação feminina nas disputas eleitorais.
Programa prioriza reestatizações e investimentos sociais
Durante seu discurso, Samara Martins apresentou as principais diretrizes que pretende defender ao longo da campanha. Entre as propostas, destacou a retomada do controle estatal sobre empresas privatizadas, a ampliação da contratação direta pelo poder público e mudanças na destinação dos recursos do orçamento federal.
Segundo a candidata, um eventual governo da Unidade Popular buscaria fortalecer a presença do Estado em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
De acordo com Samara, uma das principais propostas é “a nacionalização de todas as riquezas estratégicas do nosso país”.
Outra medida defendida pela candidata é a realização de uma auditoria da dívida pública, acompanhada da suspensão de pagamentos, com o objetivo de ampliar os investimentos em políticas sociais.
“Uma das medidas que a gente considera fundamental é que o orçamento seja destinado a essas questões sociais, em que o povo trabalhador esteja no centro”, disse.
A proposta faz parte da plataforma econômica apresentada pela legenda, que defende maior participação estatal na economia e redirecionamento de recursos públicos para áreas como saúde, educação e assistência social.
Campanha aposta na mobilização da militância
Questionada sobre os desafios de disputar a Presidência por um partido de menor expressão nacional, Samara afirmou que a campanha pretende superar as dificuldades de visibilidade apostando na atuação dos militantes em diferentes regiões do país.
A candidata criticou o que classificou como desigualdade no acesso aos meios de divulgação e afirmou que o contato direto com os eleitores será a principal estratégia da legenda.
“É com a militância, com os filiados da Unidade Popular, que a gente construiu o partido até agora. É nessa luta de rua, olho no olho, conversando com as pessoas, que a gente quer disputar e ultrapassar essa barreira.”
Segundo ela, a mobilização deverá ocorrer em comunidades, escolas, universidades e locais de trabalho, buscando ampliar o alcance das propostas da sigla ao longo da campanha eleitoral.
Representatividade feminina é uma das bandeiras da chapa
A formação de uma chapa composta exclusivamente por mulheres também foi destacada por Samara Martins como um símbolo da agenda defendida pelo partido.
Além da candidatura presidencial feminina, a Unidade Popular lançou 12 mulheres para disputar governos estaduais entre as 17 candidaturas apresentadas pela legenda.
Para a candidata, a maior presença de mulheres na política é uma ferramenta importante para enfrentar problemas como a violência de gênero, o feminicídio e a desigualdade entre homens e mulheres.
Entre as propostas apresentadas estão a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais pela divulgação de conteúdos de ódio contra mulheres e a implementação de educação de gênero nas escolas.
Samara também defendeu mudanças na legislação para ampliar a participação de mulheres e pessoas negras nos espaços de poder.
“É necessário a gente forçar por lei que seja feita essa inversão”, afirmou, acrescentando que a medida deveria alcançar inclusive o Congresso Nacional.
Com a oficialização da candidatura de Samara Martins e Raquel Brício, a Unidade Popular entra oficialmente na disputa presidencial de 2026 defendendo um programa voltado à ampliação da atuação do Estado na economia, ao fortalecimento das políticas sociais e ao aumento da representatividade feminina nas instituições públicas.