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Em Brasil, cesta básica consome mais da metade do salário mínimo líquido e exige 105 horas de trabalho

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Em Brasil, cesta básica consome mais da metade do salário mínimo líquido e exige 105 horas de trabalho

O avanço dos preços dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Levantamento elaborado com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que um trabalhador que recebe um salário mínimo precisa dedicar, em média, 105 horas e 51 minutos de sua jornada mensal apenas para adquirir os alimentos considerados essenciais.

O tempo corresponde a mais da metade de uma jornada de trabalho mensal, considerando um regime de oito horas diárias em escala 5×2. Na prática, a cesta básica compromete, em média, 52,02% do salário mínimo líquido recebido pelo trabalhador.

O cenário reflete o impacto da inflação sobre os alimentos e amplia o desafio das famílias para equilibrar o orçamento diante do aumento do custo de vida.

Inflação dos alimentos continua pressionando orçamento

Segundo o levantamento, a alta dos preços acompanha a evolução do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país.

Nos últimos 12 meses, o grupo Alimentos e Bebidas acumulou alta de 3,82%, contribuindo para elevar o custo médio da cesta básica nas 27 capitais brasileiras.

Em junho, o conjunto de produtos essenciais passou a custar, em média, R$ 779,95, valor 8,69% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Esse aumento tem impacto direto sobre a renda dos trabalhadores, principalmente daqueles que recebem o salário mínimo, reduzindo o poder de compra e comprometendo uma parcela cada vez maior do orçamento doméstico.

Salário necessário seria cinco vezes maior que o piso nacional

Diante desse cenário, Conab e Dieese calcularam qual deveria ser o salário mínimo suficiente para atender às necessidades básicas de uma família composta por quatro pessoas.

Segundo as entidades, o rendimento ideal seria de R$ 8.110,92, aproximadamente cinco vezes superior ao piso nacional vigente, atualmente fixado em R$ 1.621.

O valor também supera amplamente a renda média do trabalhador brasileiro.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o rendimento médio da população ocupada com 14 anos ou mais é de R$ 3.726.

Mesmo essa média permanece cerca de R$ 4,4 mil abaixo do valor considerado necessário para garantir alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e demais despesas essenciais.

São Paulo lidera ranking das cestas mais caras

Entre as capitais brasileiras, São Paulo registrou novamente o maior custo da cesta básica.

Em junho, o conjunto de alimentos atingiu R$ 965,47, após alta de 9,37% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Na capital paulista, um trabalhador precisa dedicar 131 horas e 2 minutos de trabalho para adquirir os itens básicos de alimentação, comprometendo 64,39% do salário mínimo líquido.

Embora São Paulo apresente o maior valor absoluto, foi Cuiabá quem registrou a maior inflação acumulada entre as capitais.

Na capital mato-grossense, a cesta básica ficou 14,71% mais cara em 12 meses, alcançando R$ 937,93.

Já no extremo oposto, São Luís foi a única capital do país a registrar redução no custo da cesta básica no período, com queda acumulada de 0,09%. O conjunto passou a custar R$ 654,73.

Aracaju apresentou o menor valor absoluto do país, com cesta média de R$ 630,40. Mesmo assim, houve aumento de 13,12% em relação ao ano anterior.

Na capital sergipana, o trabalhador precisa dedicar 85 horas e 34 minutos de sua jornada mensal para adquirir os alimentos básicos, cerca de 45 horas a menos do que em São Paulo.

Maioria das capitais registrou alta em junho

Na comparação entre maio e junho, os preços da cesta básica aumentaram em 17 capitais brasileiras e recuaram em outras dez.

Das cidades que registraram queda, sete pertencem à Região Nordeste.

Entre as maiores altas mensais destacam-se Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,2%) e Porto Alegre (2,18%).

O levantamento também mostra diferenças significativas no tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica entre as capitais. Veja abaixo:

Tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica nas capitais

  1. São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos
  2. Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos
  3. Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos
  4. Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos
  5. Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos
  6. Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos
  7. Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos
  8. Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos
  9. Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos
  10. Fortaleza (CE): 111 horas e 37 minutos
  11. Goiânia (GO): 111 horas e 27 minutos
  12. Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos
  13. Palmas (TO): 107 horas e 15 minutos
  14. Belém (PA): 103 horas e 4 minutos
  15. Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos
  16. Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos
  17. Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos
  18. Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos
  19. Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos
  20. Recife (PE): 95 horas e 5 minutos
  21. Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos
  22. Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos
  23. João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos
  24. Natal (RN): 93 horas e 7 minutos
  25. Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos
  26. São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos
  27. Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos
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