Os Estados Unidos suspenderam bombardeios contra o Irã pela segunda noite seguida, e Teerã também freou ataques retaliatórios, em uma pausa temporária na guerra que se aproxima do quinto mês e ameaça uma das rotas mais sensíveis do comércio global de petróleo.
O porta-voz militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que a decisão de Teerã acompanha a interrupção dos ataques americanos. “Nas últimas duas noites, os americanos suspenderam seus ataques. Como nossa estratégia é essencialmente baseada na retaliação, também suspendemos nossas operações”, disse.
Akraminia advertiu que o Irã voltará a ampliar a resposta se Washington retomar a ofensiva. Se os americanos “insistirem em continuar a guerra, particularmente por meio de ataques aéreos”, o conflito “se espalhará ainda mais”, acrescentou o porta-voz.
A relativa calma ocorre depois de duas semanas de novos confrontos, apesar de um cessar-fogo assinado em abril e de um protocolo de junho que previa um ciclo de 60 dias para negociações de paz. A tensão voltou a crescer em torno do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio de hidrocarbonetos.
Estreito de Ormuz segue no centro da crise
O Irã reabriu o estreito após o protocolo de paz de junho, mas voltou a fechá-lo depois da retomada das hostilidades. A pausa nos bombardeios reacendeu expectativas de retomada das conversas entre Washington e Teerã, paralisadas pelos combates na região.
A televisão estatal iraniana informou que seis navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz foram detidos nas últimas 24 horas. Como ocorreu no início da guerra, os confrontos voltaram a atingir bases americanas, embarcações na região e países do Golfo aliados de Washington.
A CNN informou, citando uma anônima do Pentágono, que as operações dos Estados Unidos contra o Irã estão “em pausa”. O The New York Times afirmou que os planos de intensificar a campanha congelaram em parte por causa da redução dos estoques de munição e de interceptadores Patriot, além do risco de ampliar a guerra no Oriente Médio, afastar aliados do Golfo e afetar a economia global.
O Axios afirmou que o Departamento da Defesa apresentou ao presidente Donald Trump um plano para a 14ª noite consecutiva de ataques, mas ele recusou a autorização para incentivar o diálogo. Na Casa Branca, o vice-presidente JD Vance e o general Dan Caine manifestaram preocupação com uma escalada; Caine disse que os militares poderiam executar as opções disponíveis, mas alertou para possíveis consequências.