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Casos de importunação sexual aumentaram 197% no Rio em 5 anos e 90% das vítimas são mulheres

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Casos de importunação sexual aumentaram 197% no Rio em 5 anos e 90% das vítimas são mulheres

Os casos de importunação sexual registrados no estado do Rio de Janeiro cresceram 197% entre 2020 e 2025, de acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) no Dossiê Mulher 2025. O levantamento aponta um aumento contínuo desse tipo de violência e revela que as mulheres seguem sendo as principais vítimas, representando mais de 90% dos registros em todos os anos analisados.

Somente em 2025, 2.723 mulheres procuraram as autoridades para denunciar o crime, o equivalente a 91% de todas as vítimas de importunação sexual registradas no estado. Na prática, isso representa uma média de 8,2 casos por dia, evidenciando a persistência da violência de gênero em espaços públicos, privados e também no ambiente virtual.

Os dados mostram que, entre 2020 e 2025, o número de mulheres vítimas passou de 992 para 2.723 ocorrências, um crescimento de 175% no período. Considerando todas as vítimas, independentemente do sexo, o aumento foi ainda maior, alcançando 197%.

Adolescentes e jovens concentram a maior parte das vítimas

O perfil das vítimas revela que adolescentes e mulheres jovens continuam sendo os grupos mais vulneráveis à importunação sexual no estado.

Segundo o painel de grupos vulneráveis do Instituto de Segurança Pública, em 2025 a maior concentração de registros ocorreu entre meninas de 12 a 17 anos e mulheres de 18 a 29 anos. A predominância dessas faixas etárias reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento das vítimas e à responsabilização dos autores.

A importunação sexual é considerada crime desde 2018 e consiste na prática de ato libidinoso sem o consentimento da vítima, com o objetivo de satisfazer o desejo sexual do agressor. A pena prevista varia de um a cinco anos de reclusão.

Crimes também avançam no ambiente digital

Além dos casos registrados em locais públicos, as investigações demonstram que a violência também tem migrado para o ambiente virtual.

Em 2024, uma mulher registrou ocorrência contra um amigo de seu marido após receber seis chamadas de vídeo nas quais o investigado aparecia se masturbando diante da câmera. O caso segue sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo.

Também no ano passado, uma atendente de uma empresa foi vítima de importunação durante o atendimento a um cliente. Segundo a investigação, o homem se masturbou durante a chamada de vídeo, proferiu xingamentos, realizou diversas ligações para a vítima e chegou a afirmar que iria buscá-la naquele mesmo dia, descrevendo inclusive as roupas que ela usava naquele momento.

O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado à Justiça do Rio de Janeiro para análise do caso.

Transporte público segue como cenário recorrente

Os registros também mostram que o transporte coletivo permanece como um dos locais onde esse tipo de crime continua ocorrendo.

Em 2025, um homem foi investigado após ejacular na calça de uma passageira dentro do BRT Curral Falso, na estação Magarça, na Zona Oeste do Rio. O caso foi apurado pela 43ª Delegacia de Polícia (Guaratiba), que concluiu o inquérito e encaminhou o procedimento à Justiça.

A ampliação dos registros pode refletir tanto o aumento da ocorrência do crime quanto uma maior conscientização das vítimas sobre seus direitos e a importância da denúncia. Ainda assim, os números do Dossiê Mulher evidenciam que a importunação sexual permanece como uma das formas de violência que mais afetam mulheres e adolescentes no estado, exigindo ações permanentes de prevenção, acolhimento e punição dos responsáveis.

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