O Irã pediu à Agência Internacional de Energia Atômica, órgão ligado à ONU, que condene os ataques dos Estados Unidos que, segundo Teerã, atingiram a usina nuclear de Darkhovin, ainda em construção no sudoeste do país.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, cobrou uma manifestação do Conselho de Governadores da AIEA e do diretor-geral da agência durante coletiva em Teerã nesta segunda-feira (20). “O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e o Diretor-Geral da AIEA, que ocasionalmente fazem declarações políticas sobre a questão nuclear iraniana, declarem claramente sua posição sobre o assunto, condenando o crime dos EUA”, disse.
A mídia estatal iraniana Irna informou que, além de Darkhovin, os ataques americanos atingiram vários locais na cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã. A cidade abriga a única usina nuclear civil do país.
O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, afirmou em comunicado divulgado na noite de domingo (19) que concluiu a nona noite consecutiva de ataques contra o Irã.
Comando dos EUA cita alvos militares e Estreito de Ormuz
Militares americanos disseram que a operação teve como alvos centros de comando, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação. Washington declarou que a ofensiva busca reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais que passam pelo Estreito de Ormuz.
Baghaei também afirmou nesta segunda que Teerã não permitirá o uso de Ormuz por inimigos para ameaçar a segurança iraniana. “Não podemos permitir que esta hidrovia seja usada indevidamente novamente para ameaçar a segurança e os interesses nacionais do Irã”, disse o porta-voz.
O representante do Ministério das Relações Exteriores acrescentou que o Irã está “determinado a tomar as medidas necessárias” para proteger sua soberania. O Estreito de Ormuz é uma rota marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Os bombardeios ocorrem após o anúncio da morte de três militares dos EUA: dois em uma base na Jordânia e um no norte do Iraque, durante a detonação controlada de uma munição não detonada. O presidente americano, Donald Trump, lamentou as mortes em entrevista: “Muito triste. Odiamos ver isso acontecer. É em serviço ao nosso país”.
No sábado (18), o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, pediu unidade nacional diante da retomada das agressões mútuas entre Washington e Teerã.