Políticos de esquerda criticaram nesta segunda-feira (20) a concessão de um green card a Eduardo Bolsonaro pelo governo dos Estados Unidos. O documento assegura ao ex-deputado residência permanente no país e autorização para trabalhar e estudar, mas não equivale à cidadania estadunidense.
O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) relacionou a concessão à atuação de Eduardo junto ao governo Donald Trump e às tarifas impostas contra produtos brasileiros. O ex-parlamentar é apontado por governistas como um dos articuladores das pressões de Washington contra autoridades e instituições do Brasil.
OLHA AÍ QUEM TÁ GANHANDO MUITO COM O TARIFAÇO!
Muito patriota, muito. pic.twitter.com/JFIGRrKju4
— Zeca Dirceu (@zeca_dirceu) July 20, 2026
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, classificou o benefício como “pagamento norte-americano pela traição”. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que o documento representa o “prêmio de quem se vende e tenta prejudicar o próprio país”.
Pelo jeito o pagamento norte-americano pela traição é um Green Card. pic.twitter.com/PlIVzZpZQG
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) July 20, 2026
Após receber o green card, Eduardo agradeceu ao governo Trump e afirmou que se sente seguro nos Estados Unidos. Ele voltou a dizer que deixou o Brasil por suposta perseguição política e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
No mês passado, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. A Corte concluiu que ele articulou sanções e medidas de pressão nos Estados Unidos para tentar interferir em processos envolvendo Jair Bolsonaro.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ele entrou no país com visto de turista, teve o mandato de deputado cassado por faltas e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal. Antes da concessão do green card, dizia avaliar um pedido de asilo político para permanecer no território estadunidense.