O governo de Donald Trump solicitou às operadoras de telefonia dos Estados Unidos os registros de chamadas e mensagens de jornalistas do New York Times e de alguns de seus familiares como parte de uma investigação sobre o vazamento de informações envolvendo o novo Air Force One, avião presidencial recebido dos Estados Unidos pelo Catar.
A revelação foi feita pelo próprio New York Times, que informou ter sido comunicado pelo Departamento de Justiça sobre a emissão de intimações para obtenção dos dados telefônicos. Além dos profissionais do jornal, o pedido atingiu parentes, incluindo cônjuges e até a mãe de um dos repórteres.
Segundo o jornal, o objetivo da investigação é descobrir a origem das informações publicadas no início de julho sobre preocupações de segurança envolvendo a nova aeronave presidencial. Paralelamente, o governo também tenta obrigar jornalistas a prestar depoimento perante um grande júri federal.
O caso veio a público nesta segunda-feira (20), após decisão do juiz federal Arun Subramanian revelar a existência das intimações. Os advogados do New York Times apresentaram uma petição para anular as medidas, argumentando que elas violam as proteções legais destinadas à imprensa.
As intimações estão temporariamente suspensas até que a Justiça decida sobre o pedido do jornal.
Em nota, a porta-voz do Departamento de Justiça, Kiersten Pels, afirmou que “qualquer intimação emitida pelo Departamento de Justiça é feita em total conformidade com a lei federal e a política interna do departamento”.
A investigação foi aberta depois que o New York Times publicou uma reportagem detalhando preocupações de autoridades americanas com a segurança do novo Air Force One, doado pelo Catar. Irritado com a divulgação, Trump determinou ao diretor do FBI, Kash Patel, que investigasse a origem do vazamento.
Na ação apresentada à Justiça, o New York Times sustenta que o Departamento de Justiça descumpriu suas próprias diretrizes ao atrasar em uma semana a notificação sobre a obtenção dos registros telefônicos. Para o jornal, a conduta representa um “esforço de má-fé para intimidar jornalistas e limitar sua capacidade de reportar sobre o governo”.
Na petição, o veículo afirma ainda que a sequência de medidas adotadas pelas autoridades levanta “questões urgentes sobre a condução desta suposta investigação de segurança nacional” e evidencia “a ausência de qualquer regularidade” no uso do grande júri, reforçando a necessidade de intervenção judicial.