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Governo adia decisão sobre retirada do subsídio à gasolina após fim da trégua entre EUA e Irã

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Governo adia decisão sobre retirada do subsídio à gasolina após fim da trégua entre EUA e Irã

O governo federal decidiu adiar a avaliação sobre o fim do subsídio à gasolina diante da nova alta do petróleo no mercado internacional. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que pretendia anunciar ainda nesta semana a retirada do benefício, mas a valorização superior a 5% no preço do barril levou a equipe econômica a reavaliar o cronograma.

Segundo o ministro, a decisão será analisada na próxima semana e poderá resultar na retirada parcial ou total da subvenção concedida ao combustível.

“Essa semana eu ia anunciar a retirada do subsídio da gasolina, vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com o impacto diferente do que eu estava prevendo”, disse durante entrevista à Rádio Gaúcha.

Ele afirmou que a intenção do governo continua sendo encerrar o programa, desde que as condições do mercado permitam.

“Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo”, complementou o ministro.

Benefício foi criado para conter efeitos da guerra

O subsídio à gasolina foi anunciado pelo governo federal em maio, em meio à forte volatilidade provocada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

A medida foi criada para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os preços dos combustíveis vendidos no Brasil, beneficiando tanto a gasolina importada quanto a produzida em território nacional.

O incentivo foi fixado em R$ 0,44 por litro e tinha validade inicial prevista de dois meses.

Na ocasião, o governo informou que a iniciativa era temporária e seria mantida apenas enquanto persistissem as pressões internacionais sobre os preços da energia.

Pacote buscou conter aumento dos combustíveis

O subsídio à gasolina integra um conjunto mais amplo de medidas econômicas anunciado pelo governo federal em abril para enfrentar os efeitos da disparada do petróleo.

Além da gasolina, o pacote contemplou diferentes segmentos do setor energético e de transportes.

Entre as principais ações adotadas estão:

  • subvenção ao diesel, tanto para o combustível importado quanto para o produzido no Brasil;
  • isenção de impostos federais sobre o biodiesel;
  • subsídio ao gás de cozinha;
  • subvenção ao querosene de aviação;
  • criação de linhas de destinadas ao setor aéreo.

A estratégia buscava reduzir os impactos da crise internacional sobre consumidores, empresas e cadeias produtivas que dependem diretamente dos combustíveis.

Diesel já perdeu incentivo

O governo iniciou, em 1º de julho, a retirada da subvenção concedida ao diesel.

Na época, integrantes da equipe econômica já indicavam que a gasolina seria o próximo combustível a deixar de receber o benefício, caso os preços internacionais apresentassem estabilidade.

Entretanto, a nova escalada das tensões militares no Oriente Médio alterou esse cenário.

Com o avanço das cotações do petróleo, o governo decidiu adotar uma postura de cautela antes de retirar completamente o incentivo.

Conflito entre EUA e Irã pressiona mercado internacional

A valorização do petróleo foi impulsionada pelos novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra o Irã.

Nesta quarta-feira (8), forças do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) realizaram uma nova ofensiva militar com o objetivo declarado de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar embarcações comerciais e civis que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

Segundo comunicado divulgado pelas autoridades americanas, aproximadamente 90 alvos estratégicos foram atingidos ao longo da costa iraniana.

Entre os objetivos atacados estavam sistemas de defesa aérea, equipamentos de vigilância costeira, depósitos de mísseis, bases de drones, estruturas navais e centros logísticos militares.

A operação representou a continuidade de uma ofensiva iniciada na noite anterior.

Na terça-feira (7), o Centcom já havia informado a destruição de cerca de 80 alvos militares no território iraniano, incluindo mais de 60 pequenas embarcações pertencentes ao Corpo da Guarda da Revolução Islâmica.

Mercado acompanha próximos movimentos

A intensificação do conflito voltou a provocar preocupação entre investidores e agentes do mercado de energia, diante do risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

A possibilidade de novas oscilações nas cotações internacionais deverá influenciar diretamente a decisão do governo brasileiro sobre a manutenção ou retirada do subsídio à gasolina.

Segundo Dario Durigan, a análise prevista para a próxima semana levará em consideração o comportamento recente do mercado internacional e os impactos que uma eventual retirada do benefício poderá ter sobre os preços pagos pelos consumidores brasileiros.

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