A Uefa comemorou neste sábado (1º) a desistência da Fifa de vender uma participação minoritária nos direitos comerciais de suas principais competições, entre elas a Copa do Mundo. A entidade europeia afirmou que a proposta ameaçava o controle das federações sobre o futebol e atacou a condução do presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Em comunicado, a Uefa declarou que “o futebol não está à venda” e classificou a retirada do projeto como uma vitória. A entidade também disse que a decisão não encerra a discussão sobre a gestão da Fifa e cobrou uma apuração sobre a formulação da proposta.
A Fifa anunciou o recuo na sexta-feira (31), após enfrentar resistência de confederações continentais e associações nacionais. Infantino reconheceu que a iniciativa “causou divisões” e que deixou de cumprir o objetivo estabelecido inicialmente.
O plano previa a criação de uma empresa para administrar direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento da Copa do Mundo masculina e feminina, além do Mundial de Clubes. A Fifa pretendia negociar cerca de 20% dessa companhia com investidores privados.
UEFA welcomes FIFA’s withdrawal of plans to sell a stake in the World Cup
— UEFA (@UEFA) August 1, 2026
Projeto poderia movimentar mais de US$ 4 bilhões
A operação avaliava a nova empresa em aproximadamente US$ 20 bilhões, valor estimado em R$ 101,6 bilhões. A venda da participação poderia render inicialmente US$ 4,2 bilhões, cerca de R$ 21,34 bilhões, para a entidade máxima do futebol.
A Fifa sustentava que usaria os recursos para ampliar os repasses às 211 associações nacionais filiadas. A Uefa respondeu que a entidade já mantém reservas superiores a US$ 5 bilhões e defendeu o uso desse dinheiro no desenvolvimento do futebol, sem a venda dos ativos comerciais das competições.
“Não podemos continuar assim, com esquemas secretos impostos a toque de caixa, arquitetados por figuras sem rosto e com benefícios duvidosos para o esporte”, afirmou a Uefa. A confederação disse que trabalhará com associações e outras confederações para impedir que uma proposta semelhante volte a avançar.
A entidade europeia citou promessas de transparência feitas por Infantino ao assumir a presidência da Fifa, em 2016, e afirmou que ele falhou nesses compromissos. Durante a semana, a Uefa liderou a oposição ao projeto e chegou a ameaçar boicotar competições da Fifa, incluindo futuras Copas do Mundo, caso a venda fosse adiante.