Escândalo no RJ: PF apreende dinheiro com auditor da Receita

Expresso Rio
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Imagem: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 233 mil escondidos na residência de um auditor da Receita Federal durante uma operação realizada nesta semana no estado do Rio de Janeiro. A ação faz parte de uma investigação de grande escala que apura um esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio.

Ao todo, 25 servidores da Receita Federal foram alvo de diligências, sendo 17 auditores fiscais e oito analistas tributários. Todos foram afastados de suas funções por determinação das autoridades, enquanto as investigações avançam sobre a possível participação no esquema.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 2,07 milhões em dinheiro vivo nas residências dos investigados. Um dos casos que mais chamou atenção foi o valor encontrado sob a cama de um auditor, evidenciando indícios de ocultação de recursos.

Batizada de Operação Mare Liberum, a ação já é considerada uma das maiores já realizadas dentro da Receita Federal. O foco é desarticular uma organização suspeita de facilitar a entrada irregular de mercadorias no país, burlando fiscalizações no Porto do Rio, uma das principais portas de entrada do comércio exterior no Brasil.

De acordo com as investigações, o esquema teria movimentado cifras bilionárias. A estimativa aponta que cerca de R$ 86,6 bilhões foram fraudados entre julho de 2021 e março de 2026, causando prejuízos expressivos aos cofres públicos.

A atuação dos servidores investigados teria permitido a liberação irregular de cargas, reduzindo ou eliminando tributos devidos, o que caracteriza crimes como corrupção, facilitação de contrabando e organização criminosa.

O caso tem forte repercussão no Rio de Janeiro, especialmente por envolver o Porto do Rio, localizado na região central da capital fluminense, área estratégica para a economia do estado. A investigação também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle e fiscalização dentro da Receita Federal.

Autoridades federais não descartam novas fases da operação, que pode alcançar outros envolvidos e ampliar o alcance das apurações.

Os investigados devem prestar depoimento nos próximos dias, enquanto a Polícia Federal analisa os materiais apreendidos. A expectativa é que novas provas ajudem a esclarecer a extensão do esquema e identifiquem outros possíveis beneficiários.

A Operação Mare Liberum segue em andamento e pode resultar em denúncias formais à Justiça Federal, além de medidas administrativas e penais contra os envolvidos.

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