Energéticos proibidos entram no RJ após suspeita de propina

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de liberação irregular de mercadorias no Porto do Rio de Janeiro, incluindo a entrada de 144 mil latas de energético proibidas pela Anvisa. A operação, batizada de Mare Liberum, aponta envolvimento de servidores da Receita Federal e prejuízos que podem chegar a centenas de milhões de reais.

De acordo com as apurações, a carga de energéticos distribuída em cerca de 6 mil caixas foi autorizada em 2022 por um auditor da Receita, mesmo após ter sido reprovada por órgãos sanitários. Há suspeita de que o servidor tenha recebido R$ 20 mil para liberar a entrada do produto no país.

O caso faz parte de um universo muito maior de irregularidades. Investigadores identificaram indícios de fraude em aproximadamente 17 mil declarações de importação registradas entre julho de 2021 e março de 2026. As operações envolvem diferentes tipos de mercadorias, desde alimentos até equipamentos industriais, com valor estimado em R$ 86 bilhões.

Segundo a Receita Federal, produtos que deveriam passar por controle sanitário acabavam sendo liberados de forma indevida, burlando exigências legais e colocando em risco a segurança do consumidor.

A operação foi autorizada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, que expediu 45 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 25 servidores da Receita foram afastados, incluindo auditores fiscais e analistas tributários.

Entre os investigados está um ex-delegado da alfândega do Porto do Rio, que deixou o cargo recentemente após solicitar aposentadoria. A residência dele foi alvo de buscas.

Além dos servidores, nove despachantes tiveram suas atividades suspensas no porto. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 102 milhões em bens dos investigados.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 5,09 milhões em dinheiro vivo, em diferentes moedas. Em um imóvel em Copacabana, foram encontrados R$ 200 mil escondidos sob uma cama. Já na Barra da Tijuca, agentes localizaram R$ 830 mil dentro de um piano.

Também foram recolhidos celulares, veículos, relógios de luxo, passaportes e armas. Um analista da Receita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

As investigações indicam que o esquema funcionava por meio do pagamento de propina para liberar contêineres no Porto do Rio de Janeiro, causando um prejuízo estimado em cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos.

A operação teve início após denúncia feita à Corregedoria da Receita Federal em 2022 e segue em andamento. O material apreendido ainda será analisado para identificar a extensão da fraude e possíveis novos envolvidos.

As ações ocorreram na capital do Rio de Janeiro e em cidades como Niterói, Nilópolis e Nova Friburgo, além de Vitória, no Espírito Santo.

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