O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) leu neste sábado (11), durante uma transmissão ao vivo, uma carta que atribuiu ao pai, Jair Bolsonaro, com um apelo para que as “possíveis diferenças” dentro do bolsonarismo sejam deixadas de lado. O documento reforça o apoio do ex-presidente à pré-candidatura do filho em meio ao racha público com Michelle Bolsonaro.
Flávio afirmou que visitou Jair Bolsonaro pela manhã e apresentou uma atualização sobre sua pré-campanha à Presidência. Segundo o senador, o pai permanece “firme e forte, na medida do possível” durante o cumprimento da prisão domiciliar.
Na carta, datada deste sábado, Jair Bolsonaro pede que os apoiadores “arregacem as mangas” e trabalhem pela pré-candidatura de Flávio, descrito como sua escolha para “resgatar o Brasil”. O texto chama o senador de “porta-voz” do ex-presidente e repete o lema “Deus, pátria, família e liberdade”.
Michelle Bolsonaro não é citada nominalmente, mas o apelo para que diferenças sejam abandonadas ocorre após semanas de confronto aberto entre ela e o enteado. A ex-primeira-dama acusou Flávio de tratá-la com rispidez, desrespeitá-la e humilhá-la durante uma disputa sobre as articulações eleitorais do PL no Ceará.
A crise levou Michelle a deixar a presidência do PL Mulher e retirou da campanha de Flávio uma liderança com forte influência entre mulheres evangélicas e conservadoras. Pessoas próximas à ex-primeira-dama já indicaram que uma reconciliação antes da eleição é considerada improvável e que ela pode não participar da campanha do senador.
🚨VEJA: Em carta, Bolsonaro pede “empenho” na candidatura de Flávio e diz que filho é seu “porta-voz” pic.twitter.com/sxZ3VkBzFX
— Meio Independente (@meioindep) July 11, 2026
A expressão empregada na carta também repete um apelo feito pelo próprio Flávio em 27 de junho. Durante um evento do PL em Goiás, ele pediu união “sem exceção” e afirmou que era necessário deixar as “pequenas diferenças de lado”. A semelhança não permite qualquer conclusão sobre a autoria do documento, mas revela a mensagem que a pré-campanha tenta impor desde o início da crise: encerrar publicamente o conflito sem responder às acusações feitas por Michelle.
Esta não é a primeira carta atribuída a Jair Bolsonaro usada para sustentar a candidatura do filho. Em dezembro de 2025, Flávio leu outro documento no qual o pai o apresentava como seu escolhido para disputar a Presidência. A nova manifestação não anuncia uma reconciliação com Michelle nem registra qualquer apoio dela ao senador. Ao contrário, mostra que o racha permanece aberto e levou Jair Bolsonaro a intervir novamente para tentar alinhar o próprio grupo.