Aos 39 anos, Lionel Messi faz o torneio mais produtivo de sua carreira justamente quando o futebol exige cada vez mais intensidade física. O segredo, porém, não está em correr mais — mas em caminhar.
Em cinco partidas disputadas até agora, Messi mostrou que continua capaz de decidir jogos praticamente sozinho. Enquanto a maioria dos atletas percorre o campo em alta intensidade durante boa parte do tempo, o camisa 10 argentino adotou uma estratégia completamente diferente: economizar energia para atacar apenas nos momentos decisivos.
Os números da FIFA ajudam a explicar esse fenômeno. Messi percorreu 35.868 metros na Copa, mas 22.958 deles — 64% da distância total — foram em ritmo considerado de “zona 1”, entre 0 e 7 km/h. Em outras palavras, a maior parte do tempo ele está parado ou simplesmente caminhando.
Em uma análise realizada durante a partida contra Cabo Verde, foi medido quanto tempo Messi realmente passou correndo em um período de 15 minutos do segundo tempo. O resultado impressionou: apenas 51 segundos. Projetando esse ritmo para um jogo inteiro, o argentino correria aproximadamente cinco minutos durante os 90 minutos.
A economia de movimentos, entretanto, não significa pouca eficiência. Pelo contrário.
Messi terminou a fase de grupos como o jogador que mais marcou gols entre os 618 atletas de linha da competição. Ao mesmo tempo, foi aquele que menos percorreu distância por partida. É uma combinação quase impossível: ninguém faz tanto com tão pouco desgaste físico.
Outra estatística reforça essa diferença. Após cinco jogos, Messi havia realizado 298 corridas em alta velocidade. Entre os principais atacantes da Copa, quase todos registraram números muito superiores:
* Harry Kane: 600;
* Vinícius Júnior: 514;
* Ousmane Dembélé: 477;
* Mikel Oyarzabal: 461;
* Kylian Mbappé: 336.
Apenas Erling Haaland, com 314 arrancadas, ficou próximo do argentino, embora nem tenha atuado na terceira partida da Noruega.
Mesmo adotando um ritmo mais lento durante a maior parte do tempo, Messi continua capaz de acelerar quando necessário.
Foi exatamente isso que aconteceu na dramática vitória sobre o Egito nas oitavas de final. Com a Argentina perdendo por 2 a 0, o camisa 10 passou a atuar aberto pela direita e voltou a jogar como nos tempos de juventude, partindo para cima dos marcadores em sequência.
A partir dos 76 minutos, liderou a partida em toques na bola, finalizações, dribles e chances criadas. Somente nesse jogo, tentou nove dribles, contra 15 nas quatro partidas anteriores somadas.
Depois da histórica virada argentina, Messi deixou o gramado completamente exausto e emocionado, chegando às lágrimas após colocar todas as suas energias na classificação.
Contra a Suíça, nas quartas de final, a expectativa é que ele volte ao estilo mais econômico que tem caracterizado sua campanha.
Um dos melhores exemplos dessa estratégia aconteceu diante de Cabo Verde. No lance do primeiro gol argentino, Messi caminhava praticamente sem participar da jogada até perceber o espaço. Quando acelerou, precisou de apenas três segundos, entre o início da corrida e a bola balançando as redes.
🤯 O MELHOR JOGO DA COPA? 🇨🇻🇦🇷
A Argentina venceu Cabo Verde por 3×2 e avançou às oitavas. Os cabo-verdianos buscaram o resultado duas vezes e lutaram até o fim!
Valeu, Vozinha! Valeu, Cabo Verde! 🥹👏@budweiser_br #BudNaCopa #BebaComModeração #VídeoPatrocinado pic.twitter.com/Alirdts8i7
— CazéTV (@CazeTVOficial) July 4, 2026
É exatamente esse tipo de explosão que explica seu sucesso.
Naturalmente, esse modelo depende de toda a equipe.
Enquanto Messi preserva energia, os demais jogadores correm por ele. A Argentina praticamente defende com dez atletas, permitindo que seu principal jogador permaneça descansado entre um ataque e outro.
O principal responsável por essa proteção é Rodrigo De Paul. O volante passou apenas 44% do torneio na chamada “zona 1”, muito abaixo dos 64% de Messi, assumindo grande parte do trabalho defensivo e da pressão no meio-campo.
A diferença também aparece na distância percorrida. Enquanto Messi correu 35.868 metros em 468 minutos, De Paul acumulou 34.679 metros em apenas 347 minutos. Já os meio-campistas Alexis Mac Allister e Enzo Fernández ultrapassaram a marca de 50 mil metros percorridos na competição.
Conhecido há anos como o “guarda-costas” de Messi, De Paul costuma ser o primeiro a defender o capitão após faltas e também mantém uma amizade próxima fora dos gramados. A parceria ficou ainda mais forte desde que ambos passaram a atuar juntos no Inter Miami.
Até agora, o plano argentino tem funcionado perfeitamente.
Enquanto seus companheiros correm, marcam e se desgastam durante toda a partida, Messi escolhe cuidadosamente quando acelerar. Em cinco jogos, já soma oito gols e uma assistência, liderando a campanha da atual campeã mundial.