Duas manchetes, do Estadão e do Globo, com a mesma sobre a mesma pauta. Aqui a manchete do Estadão:
“Rubens Barbosa: Brasil é um dos mais penalizados pelos EUA porque não negociou. E vale a lei da selva”.
A linha de apoio da manchete é esta: “Ex-embaixador em Washington e Londres aconselha o governo a evitar retaliações e criar canais de negociação, embora sem ceder a demandas prejudiciais aos interesses brasileiros”.
E esta é a manchete do Globo:
“Ex-embaixador em Washington diz que EUA praticam ‘violência protecionista’: Não é negociação, é imposição”.
E esta é a linha de apoio: “Rubens Barbosa, porém, recomenda cautela na reação: O Brasil não tem cacife para retaliar os americanos”.
Parecem ser a mesma coisa, com a mesma formulação, o mesmo Rubens Barbosa, com as mesmas opiniões, mas não são. A manchete do Estadão vai na linha de que o Brasil é punido por não ter negociado, quando se sabe que é o contrário. E acrescenta: na selva, manda o leão.
A manchete do Globo vai em outra direção: não tem negociação, tem imposição política do protecionismo exacerbado. Uma manchete quase desmente a outra. Tem que negociar e não há como negociar.
A formulação da chamada do Estadão é a mais vira-lata. Rubens Barbosa é sempre requisitado, como ex-diplomata, para dar palpites.
Há exatamente um ano, ele disse o seguinte, quando do primeiro tarifaço:
“O Vietnã é comunista e conseguiu negociar com Trump. Por que o Brasil não consegue?”
Um diplomata rodado comparava o Brasil ao Vietnã e Lula a um presidente do qual ninguém sabe o nome. Fez a comparação para dizer que era possível negociar. Hoje, dependendo da manchete, diz tudo ao contrário.