A convenção nacional do Partido Liberal (PL), marcada para o próximo sábado, deverá oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Planejado para marcar o início da campanha eleitoral e demonstrar unidade entre as principais lideranças da legenda, o evento, no entanto, pode ser realizado sem a presença de Michelle Bolsonaro.
Embora a ex-primeira-dama ainda não tenha confirmado oficialmente sua decisão, interlocutores afirmam que a tendência é que ela não participe da convenção. Nos bastidores, dirigentes do partido também trabalham com essa possibilidade, em meio ao desgaste que permanece entre Michelle e o senador.
A expectativa é de que a decisão definitiva seja tomada apenas no próprio sábado, mas integrantes da campanha já consideram improvável que a ex-primeira-dama compareça ao ato político.
Crise entre Michelle e Flávio segue sem solução
O possível desfalque ocorre em um contexto de afastamento entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Os dois deixaram de aparecer juntos em compromissos públicos após a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama acusou o enteado de desrespeitá-la e de tentar reduzir seu espaço político dentro do movimento bolsonarista.
Desde então, segundo pessoas próximas à família, o diálogo entre ambos permanece interrompido.
Outro episódio que evidenciou o distanciamento ocorreu durante uma visita de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, quando este redigiu uma carta de apoio à candidatura do filho. Na ocasião, Michelle não estava na residência e participava de um grupo de oração. Dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio ficasse proibido de visitar o ex-presidente por 90 dias.
A ex-primeira-dama também não participou do encontro promovido pelo núcleo feminino da pré-campanha de Flávio, realizado neste mês no Distrito Federal. O evento reuniu representantes de partidos de direita para discutir propostas voltadas ao eleitorado feminino e serviu de base para o programa “Brasil por Elas”.
PL tenta evitar novo desgaste político
Oficialmente, aliados de Michelle atribuem sua possível ausência aos cuidados prestados a Jair Bolsonaro. Desde o endurecimento das medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, a ex-primeira-dama passou a dedicar boa parte de sua rotina ao acompanhamento do marido.
Entre as restrições impostas ao ex-presidente estão a suspensão de visitas sociais por 30 dias, a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral durante o período eleitoral e a vedação da divulgação pública de manifestações feitas por ele, inclusive por intermédio de terceiros.
Nos bastidores do PL, contudo, dirigentes admitem que o afastamento entre Michelle e Flávio continua sendo um fator determinante para a provável ausência da ex-primeira-dama. Integrantes da legenda reconhecem que o impasse ainda não foi superado e evitam ampliar o tema às vésperas da convenção.
Aliados do senador também têm orientado a campanha a minimizar o assunto, buscando impedir que a crise familiar volte a dominar o noticiário justamente no momento em que o partido pretende lançar oficialmente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.