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Defesa de Bolsonaro transfere pressão a Flávio e tenta livrar ex-presidente

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Defesa de Bolsonaro transfere pressão a Flávio e tenta livrar ex-presidente

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não sabia que a carta entregue ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria divulgada em uma transmissão nas redes sociais. A versão provocou desconforto entre aliados do pré-candidato, que avaliam que a manifestação contradiz a narrativa construída por ele desde a leitura do documento.

Na live realizada no sábado (11), Flávio Bolsonaro agradeceu ao pai por tê-lo escolhido como “porta-voz” e apresentou a carta como uma orientação destinada a encerrar divergências no campo da direita. O texto defendia a união em torno de sua pré-candidatura à Presidência e o classificava como a melhor opção para representar o grupo político.

Na manifestação enviada ao STF na quarta-feira (15), porém, os advogados disseram que Jair Bolsonaro “jamais soube” que a carta seria tornada pública e negaram qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia para o uso do documento nas redes sociais. A explicação transfere para Flávio a responsabilidade pela decisão de divulgar o texto.

Interlocutores do senador avaliam que a versão enfraquece sua tentativa de se apresentar como representante autorizado do pai. Para esse grupo, Jair Bolsonaro protegeu sua situação jurídica, mas deixou o filho exposto justamente quando ele tenta consolidar a liderança sobre o bolsonarismo e reduzir as resistências à sua pré-candidatura.

A defesa busca afastar a possibilidade de que Jair Bolsonaro tenha descumprido a ordem que o proíbe de usar as redes sociais direta ou indiretamente. Admitir conhecimento prévio da live poderia reforçar a interpretação de que o ex-presidente utilizou o filho para contornar as restrições impostas durante a prisão domiciliar.

Alexandre de Moraes enviou a manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terá cinco dias para apresentar um parecer. O ministro já suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai e encaminhou o caso à Justiça Eleitoral para apuração de possível propaganda eleitoral antecipada.

A nova crise ocorre enquanto Flávio tenta reunir diferentes alas da direita e conter o conflito com Michelle Bolsonaro. A carta pretendia encerrar as disputas internas, mas a negativa apresentada ao STF abriu uma contradição entre pai e filho e ampliou as dúvidas entre aliados sobre quem efetivamente comanda a campanha.

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