Como a greve dos gráficos de 1923 mudou a luta trabalhista no Brasil

Expresso Rio
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A greve dos gráficos de 1923 entrou para a história do movimento operário brasileiro como uma das maiores mobilizações trabalhistas do início do século XX. O movimento, liderado por trabalhadores gráficos em São Paulo, durou 58 dias e conquistou direitos importantes para a categoria, consolidando a organização sindical e fortalecendo a atuação política do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado no ano anterior.

Segundo registros históricos, a paralisação teve como principal liderança João da Costa Pimenta, considerado um dos fundadores do PCB. A greve terminou com vitórias relevantes para os trabalhadores, incluindo reconhecimento sindical, piso salarial e férias anuais formalizadas em acordo coletivo, algo considerado precursor das futuras convenções coletivas de trabalho.

Greve dos gráficos de 1923 fortaleceu organização sindical

De acordo com pesquisadores da história do movimento operário, a mobilização dos gráficos demonstrou um alto nível de organização política e resistência diante da pressão patronal. A categoria conseguiu sustentar quase dois meses de paralisação até conquistar todas as reivindicações apresentadas durante o conflito trabalhista.

O movimento ficou marcado nacionalmente e o dia 7 de novembro, data de início da greve, acabou oficializado como o Dia Nacional do Gráfico. O episódio passou a ser tratado como referência histórica para outras categorias trabalhistas que também buscavam direitos e reconhecimento sindical no Brasil.

Conforme análises históricas, parte das conquistas trabalhistas posteriormente incorporadas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já apareciam nas reivindicações defendidas pelos trabalhadores gráficos anos antes do governo Getúlio Vargas.

Comunistas ampliavam influência no movimento operário

Enquanto as mobilizações trabalhistas cresciam, o Partido Comunista Brasileiro também ampliava sua presença nos atos públicos organizados em diversas regiões do país. No 1º de Maio realizado na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, comunistas e anarquistas disputavam espaço político dentro do movimento proletário brasileiro.

Segundo relatos históricos, integrantes do PCB utilizavam os atos para defender uma linha política organizada e criticar ações consideradas espontâneas ou voluntaristas associadas ao anarquismo.

Durante as manifestações, o partido apresentou uma moção denunciando riscos de uma nova guerra mundial e criticando o avanço do fascismo liderado pelo ditador italiano Benito Mussolini. O documento apontava o fascismo como instrumento do capitalismo internacional.

Manifesto Comunista foi traduzido para o português em 1923

Outro fato considerado importante naquele período foi a tradução do “Manifesto do Partido Comunista” para o português por Otávio Brandão. O texto clássico escrito por Karl Marx e Friedrich Engels foi publicado pelo jornal sindical “Voz Cosmopolita”, de Porto Alegre.

A publicação teve tiragem de aproximadamente 3 mil exemplares, número expressivo para a época. Entretanto, segundo informações históricas, a repressão policial contra organizações comunistas provocou fechamento de gráficas e interrupção da circulação do jornal “Movimento Comunista”.

Revolução paulista de 1924 ampliou instabilidade política

O cenário político brasileiro também passou por forte instabilidade com a chamada Revolução Paulista de 1924. O movimento militar liderado por oficiais tenentistas enfrentou o governo do presidente Artur Bernardes e gerou confrontos violentos na capital paulista.

Segundo registros históricos, mais de 700 pessoas morreram e milhares ficaram feridas durante os combates e bombardeios ocorridos em São Paulo.

Entre os principais líderes do movimento estavam Isidoro Dias Lopes, Miguel Costa, João Cabanas, Juarez Távora e Eduardo Campos. Os revoltosos buscavam derrubar o governo federal, mas acabaram enfrentando forte repressão militar.

Conforme análises históricas, os insurgentes não conseguiram apoio popular suficiente para sustentar o movimento nacionalmente. Após semanas de confrontos, os grupos rebeldes abandonaram São Paulo e passaram a atuar em colunas militares pelo interior do país.

A chamada Comuna de Manaus é apontada por historiadores como um dos episódios mais relevantes do tenentismo brasileiro. O movimento ocorreu entre julho e agosto de 1924 e contou com apoio popular na capital amazonense.

A rebelião foi liderada pelos militares Alfredo Augusto Ribeiro, Magalhães Barata e José Carlos Dubois. Os insurgentes destituíram integrantes da oligarquia local e assumiram o controle administrativo da cidade.

Segundo documentos históricos, a junta governamental implantou medidas consideradas moralizantes, como cobrança de impostos atrasados de grandes empresas, pagamento de salários de servidores públicos e confisco de bens associados à corrupção.

As ações ampliaram o apoio popular aos revoltosos e dificultaram a retomada do controle por parte do governo federal. Mesmo com bombardeios e mobilização militar, a rendição acabou sendo negociada.

Levantes militares se espalharam pelo Brasil

Além de São Paulo e Manaus, movimentos rebeldes ocorreram em estados como Pará, Mato Grosso, Sergipe e Rio Grande do Sul. Os confrontos envolveram militares, civis e forças federais em diferentes regiões do país.

No Pará, a Fortaleza de Óbidos aderiu ao movimento insurgente e serviu como ponto estratégico para apoio aos revoltosos do Norte. Já em Mato Grosso, os rebeldes enfrentaram dificuldades para conquistar apoio popular e militar.

Em Sergipe, militares chegaram a prender o governador Graccho Cardoso durante o levante do 28º Batalhão de Caçadores de Aracaju. Mulheres e civis também participaram das mobilizações.

No Rio Grande do Sul, os confrontos ocorreram principalmente na região das Missões. Os insurgentes liderados por Luiz Carlos Prestes acabaram se unindo às tropas vindas de São Paulo, formando posteriormente a Coluna Prestes.

Movimentos marcaram transformação política no Brasil

Os conflitos políticos e trabalhistas registrados entre 1923 e 1924 ajudaram a moldar a reorganização social e ideológica do Brasil nas décadas seguintes. O fortalecimento do movimento operário, o crescimento das organizações comunistas e os levantes militares revelavam um país em intensa transformação política.

Segundo especialistas em história política brasileira, os episódios demonstram que grande parte das disputas sociais e trabalhistas do período antecedeu mudanças estruturais posteriores, incluindo reformas trabalhistas e reorganizações institucionais que marcaram o século XX brasileiro.

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