O túmulo do ditador Emílio Garrastazu Médici, o terceiro general a governar o Brasil durante o regime militar, foi vandalizado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Imagens divulgadas pelo perfil Necrotour RJ, do Instagram, mostram a lápide pichada com tinta vermelha com a frase “Ditadura nunca mais”.
Segundo o perfil, o episódio não significa falta de manutenção ou descaso da administração do cemitério. Apesar da circulação de funcionários pela necrópole, é impossível monitorar todos os espaços permanentemente.
O Cemitério São João Batista reúne cerca de 25 mil túmulos e aproximadamente 65 mil corpos sepultados, em sua maioria de católicos. Pela importância histórica, cultural e artística, a necrópole é considerada uma das atrações turísticas do Rio de Janeiro e integra o roteiro cultural da cidade.
Em outubro de 2015, tornou-se o primeiro cemitério da América Latina a integrar o Google Street View, permitindo visitas virtuais às suas dependências. Alguns túmulos de personalidades também receberam placas com códigos QR, que possibilitam aos visitantes acessar informações sobre as pessoas sepultadas no local.
Ainda que merecida, a profanação de sepultura pode configurar crime previsto no artigo 210 do Código Penal. A legislação estabelece pena de reclusão de um a três anos e multa para quem violar ou profanar sepultura ou urna funerária.
A caracterização do crime depende das circunstâncias e da apuração das autoridades. A pichação de uma lápide pode ser enquadrada como ato de degradação ou aviltamento de sepultura.
Quem foi Médici
Emílio Garrastazu Médici nasceu em 1905 e chegou à Presidência da República em outubro de 1969, após ser indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para suceder Artur da Costa e Silva, afastado por problemas de saúde.
Antes de assumir a Presidência, Médici comandou o Serviço Nacional de Informações (SNI) e o III Exército, em Porto Alegre.
Seu governo, entre 1969 e 1974, correspondeu ao período mais duro da repressão política da ditadura militar. O regime combateu organizações de guerrilha urbana e rural, enquanto torturava, mortava e operada desaparecimentos de presos políticos.
Ao mesmo tempo, o governo Médici ficou conhecido pelo chamado “Milagre Econômico”, período de forte crescimento do PIB e expansão do consumo, mas também marcado pelo aumento da dívida externa e pela concentração de renda.
Na área de infraestrutura, seu governo lançou ou executou projetos como a Transamazônica, a Perimetral Norte, a Santarém-Cuiabá e a Ponte Rio-Niterói. Também avançaram projetos como o acordo com o Paraguai para a construção de Itaipu.
Médici deixou a Presidência em março de 1974, quando foi sucedido pelo general Ernesto Geisel. Posteriormente, afastou-se da vida pública.
O ex-presidente morreu em 9 de outubro de 1985, aos 79 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de saúde após um acidente vascular cerebral.