A morte de Jorge Messi, pai e empresário de Lionel Messi, encerra a trajetória de uma das pessoas mais importantes na vida e na carreira do astro argentino. Jorge morreu na noite desta sexta-feira (7), aos 68 anos, em um hospital de Rosário, na Argentina, após enfrentar problemas de saúde por um longo período.
A informação foi divulgada pelo jornal argentino Infobae. A família de Messi já havia informado durante a Copa do Mundo sobre o estado de saúde de Jorge. Na ocasião, o comunicado apontava que ele apresentava uma recuperação constante, apesar da complexidade do quadro clínico.
O momento delicado vivido pelo pai também teve reflexos em Lionel Messi. Após uma partida da seleção argentina no Mundial, o atacante chorou no gramado. Naquele momento, Messi indicou que a emoção não estava relacionada ao resultado ou ao desempenho dentro de campo. Posteriormente, a situação de saúde de Jorge ajudou a explicar a reação do camisa 10.
Pai foi fundamental na carreira de Messi
Jorge Horacio Messi teve papel decisivo desde os primeiros passos de Lionel no futebol. Mais do que acompanhar a formação do filho, ele passou a administrar a carreira e os negócios do jogador à medida que Messi se transformou em um dos maiores nomes da história do futebol.
Antes da fama internacional do filho, Jorge levava uma vida simples em Rosário e trabalhava em uma fábrica siderúrgica. Com a ascensão de Lionel, tornou-se seu principal representante e passou a cuidar de negociações, contratos e questões financeiras.
A relação entre os dois também foi determinante quando a família decidiu manter Lionel na Espanha. Ainda jovem, Messi enfrentou dificuldades relacionadas à documentação que chegaram a colocar em dúvida a permanência do jogador no país.
Em entrevista ao portal Soho.com, em 2012, Jorge contou que a família chegou a considerar retornar à Argentina. Segundo ele, porém, a decisão de permanecer na Espanha partiu do próprio Lionel.
“Em casa queríamos voltar. Mas eu perguntei para ele, e o Lionel pediu para continuar na Espanha”, contou Jorge.
O famoso contrato em um guardanapo
Um dos episódios mais conhecidos da trajetória de Messi também teve participação direta de Jorge.
Quando Lionel ainda era adolescente, o pai pressionou o Barcelona para garantir o futuro do filho no clube. Em uma reunião que envolveu o então diretor esportivo Carles Rexach e o empresário Horacio Gaggioli, o compromisso com o jovem argentino acabou sendo registrado em um guardanapo.
O episódio se tornou simbólico porque marcou o início de uma relação que transformaria a história do Barcelona e do futebol mundial.
Jorge continuou acompanhando de perto a carreira do filho durante as décadas seguintes. Ele participou de negociações importantes, incluindo a saída de Messi do Barcelona e a transferência para o Paris Saint-Germain. Também esteve envolvido na mudança do jogador para o Inter Miami, nos Estados Unidos.
Empresário discreto
Apesar de ter enorme influência sobre a carreira de Lionel Messi, Jorge sempre manteve um perfil discreto. Sua atuação acontecia principalmente nos bastidores, enquanto o filho permanecia concentrado no futebol.
O jornalista Guillem Balagué já descreveu pai e filho como pessoas reservadas e muito semelhantes em diversos aspectos.
A estratégia também ajudou a preservar a imagem pública de Messi. Jorge assumiu grande parte das responsabilidades extracampo, permitindo que o jogador concentrasse sua atenção nas partidas e nos treinamentos.
“Quem está preparado para tudo isso? Talvez ninguém. Tentei ver como outros jogadores de futebol administram as coisas. Não é tão difícil assim”, afirmou Jorge Messi em entrevistas citadas pelo jornal El Mundo.
Família Messi
Jorge Messi e Celia Cuccittini se casaram em 1978. O casal teve quatro filhos: Lionel, Rodrigo, Matías e María Sol.
A família vivia em Rosário antes de Lionel iniciar a trajetória que o levaria ao futebol europeu e, posteriormente, ao status de um dos atletas mais conhecidos do planeta.
Ao longo de toda a carreira, Jorge permaneceu próximo do filho e foi uma das figuras mais importantes na tomada de decisões fora dos gramados.
A morte aos 68 anos representa uma perda pessoal para Lionel Messi, que manteve com o pai uma relação próxima desde a infância e contou com sua participação direta na construção de uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol.