Em meio à eleição mais importante dos últimos 50 anos, com um delinquente como Donald Trump à frente dos Estados Unidos e às portas do Brasil, dois artistas brasileiros reconhecidos por suas posições progressistas se dizem cansados de falar de política.
Nando Reis e Wagner Moura reclamam do ambiente de hostilidade. Moura cita a palavra mágica: “polarização”. Se há uma eleição em que artistas, intelectuais e formadores de opinião deveriam ocupar espaço no debate público é esta.
Em entrevista a um podcast, Nando afirmou que chegou à conclusão de que falar com quem não quer ouvir seria inútil.
“Parei de falar sobre política. Eu tinha uma reação de indignação e achava: ‘preciso me posicionar, quero extravasar minha indignação’. Até o momento em que eu falei: ‘isso é completamente inútil. Ficar falando com quem não quer ouvir’”, disse.
“Eu sou meio impulsivo. Eu não consigo ouvir calúnias e não me ofender. Eu reagi, falei coisas no palco. E hoje eu falo: ‘não, que saco’. Eu me f*di muito por conta disso. Perdi shows e tudo mais.”
Nando Reis afirma que se arrepende de falar de política. Diz que ficou surpreso ao descobrir que havia um pensamento de direita no Brasil e que também já perdeu shows por posicionamento político pic.twitter.com/Y1LpYuj446
— O Corvo (@0C0RV0) August 1, 2026
Wagner preferiu um cenário mais apropriado para manifestar seu enfado. Em entrevista ao clássico Pedro Bial em Atenas, ambos vestidos de branco e bege claro, tomando um vinho branco numa linda tarde de verão, o ator declarou que está “cansado de ser odiado” e defendeu um diálogo com pessoas da direita.
O papo se desenrolou aos pés do Parthenon, durante a turnê europeia da peça “Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, em que Moura atua e assina como coautor da adaptação.
“Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre, por exemplo, os assuntos que essa peça traz, como o tamanho de Estado. Eu acho uma discussão superválida”, declarou a Bial. Volta e meia, fazia menções à democracia apontando para a paisagem e invocando os gregos.
“A esquerda sempre diz: ‘a gente quer seguridade social, a gente quer cultura, a gente quer educação gratuita’. A direita faz uma pergunta que eu acho justa, que é: ‘quem vai pagar isso que você quer?’.”
Moura criticou setores que tentam desqualificar opiniões pelo perfil de quem fala e chamou esse comportamento de “fascismo de esquerda”. “O papo dos caras é: ‘Ah, ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, ele não pode falar do Brasil’. Ou: ‘Ele prosperou na carreira, e então, como é que pode? Não é gay e defende gay, não é preto e defende preto’”, indignou-se.
“Quanto você precisa ganhar para você deixar de acreditar em justiça social?”
📹#vídeo Wagner Moura critica identitarismo: “fascismo de esquerda”
🚩O ator Wagner Moura criticou a política identitária, que organiza reivindicações com base na identidade de determinados grupos. Ele questionou discussões sobre o que pode ou não ser debatido. A declaração foi… pic.twitter.com/18JuwCLHX4
— Poder360 (@Poder360) August 6, 2026