O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deixaram para depois das eleições a discussão sobre o avanço da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1. Segundo relatos feitos ao Globo, o assunto foi mencionado apenas lateralmente durante o jantar que marcou a reaproximação entre os dois.
O encontro ocorreu na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e teve a participação do ministro Cristiano Zanin. Os dois magistrados atuaram como mediadores para restabelecer o diálogo entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.
O fim da escala 6×1 é tratado por Lula como uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, reduz a jornada semanal sem corte de salário, mas permanece parada no Senado.
Alcolumbre já vinha sinalizando que não pretendia colocar o tema em votação antes das eleições. O presidente do Senado alegava que uma mudança com impacto econômico e trabalhista deveria ser discutida fora do ambiente eleitoral.
No jantar, não houve tentativa de construir um calendário para a votação. A avaliação compartilhada pelos presentes foi a de que a proposta deve permanecer em compasso de espera até o encerramento do processo eleitoral, em outubro.
A conversa teve como principal objetivo encerrar o afastamento entre Lula e Alcolumbre. Os dois estavam sem contato direto desde a rejeição, pelo Senado, da indicação do então advogado-geral da União Jorge Messias para uma vaga no Supremo.
A indicação de Messias não foi retomada durante o encontro em que, segundo os relatos, o jantar se concentrou na reconstrução da relação institucional e em temas gerais da agenda política, sem acordo imediato para destravar a PEC da escala 6×1.