A presença de uma baleia-franca com uma rede de pesca presa à cabeça chamou a atenção de pesquisadores e frequentadores do Arpoador, na Zona Sul do Rio, nesta semana. O animal, que nadava acompanhado de um filhote, foi registrado em imagens divulgadas pelo projeto Amigos da Jubarte. O caso reacendeu o alerta para os impactos da atividade pesqueira sobre mamíferos marinhos e para a necessidade de preservação de uma das espécies mais ameaçadas de baleias no litoral brasileiro.
Segundo especialistas, embora exista a possibilidade de a baleia conseguir se livrar da rede sozinha, a situação exige monitoramento. O projeto orienta que qualquer novo avistamento seja comunicado às equipes responsáveis ou às autoridades ambientais, evitando qualquer tentativa de aproximação ou resgate por pessoas sem treinamento.
Rede pode ter sido encontrada durante a migração
Ao g1, o diretor do projeto Amigos da Jubarte, Thiago Ferrari, explicou que a baleia provavelmente ficou presa em uma rede de espera, equipamento utilizado na pesca costeira que pode atingir quilômetros de extensão.
“Ela provavelmente se emalhou em uma rede de espera, são essas longas que os pescadores deixam no mar e que podem chegar a quilômetros de extensão. Não dá para saber se a rede era ilegal ou não, mas provavelmente era uma rede costeira que ela veio nadando e se emalhou acidentalmente nela”, afirmou.
O pesquisador ressaltou que não é possível identificar onde ocorreu o incidente. Segundo ele, o animal pode ter se enroscado na rede até mesmo em outro estado durante seu deslocamento pelo litoral brasileiro.
Ferrari também observou que a baleia-franca normalmente não realiza saltos frequentes fora da água. Por isso, existe a hipótese de que os movimentos registrados tenham sido uma tentativa de remover a rede presa ao corpo.
“É possível que ela própria consiga se desvencilhar por conta da sua força, ela é uma baleia muito forte e pesada, ela pode chegar a 50 toneladas e 18 metros”, explicou.
Espécie ameaçada se aproxima da costa
A baleia-franca é considerada uma espécie ameaçada de extinção no Brasil. Diferentemente de outras baleias, ela costuma permanecer próxima ao litoral, característica que historicamente aumentou sua vulnerabilidade à caça e, atualmente, também amplia o risco de acidentes com embarcações e equipamentos de pesca.
Especialistas alertam que, caso o animal seja novamente avistado com a rede, a população deve manter distância e acionar imediatamente equipes especializadas. A tentativa de retirada do material por pessoas não treinadas pode colocar em risco tanto a baleia quanto quem tenta ajudá-la.
Inverno marca temporada de baleias no litoral fluminense
O inverno corresponde ao período de maior movimentação de baleias na costa do Rio de Janeiro. Nessa época, milhares de jubartes deixam as águas frias da Antártida e percorrem cerca de 9 mil quilômetros até o litoral da Bahia, onde encontram condições favoráveis para reprodução e nascimento dos filhotes.
Embora o destino final seja o Banco dos Abrolhos, o litoral fluminense integra um importante corredor migratório, tornando comum a observação desses gigantes marinhos entre os meses de junho e setembro.
A recuperação da população de jubartes nas últimas décadas é considerada um dos principais exemplos de sucesso da conservação marinha, após o fim da caça comercial. Ainda assim, pesquisadores destacam que ameaças como a poluição, colisões com embarcações e o emalhamento em redes de pesca continuam representando riscos para diferentes espécies de cetáceos que utilizam a costa brasileira.