A Argentina pode chegar à semifinal da Copa do Mundo sem ter enfrentado uma única seleção colocada entre as 15 melhores do ranking da Fifa. Para isso, a equipe de Lionel Messi precisa derrotar a Suíça neste sábado (11), às 22h, em Kansas City, nos Estados Unidos.
A atual campeã venceu Argélia, Áustria, Jordânia e Cabo Verde antes de eliminar o Egito nas oitavas de final. Pelo ranking usado como referência antes das quartas, os adversários ocupavam, respectivamente, a 28ª, a 24ª, a 63ª, a 67ª e a 19ª posições, com a última correspondendo à Suíça, rival na disputa por uma vaga na semifinal.
Nenhuma outra sobrevivente teve um percurso tão livre das principais forças do torneio. A Inglaterra, dona do segundo caminho menos exigente, enfrentou Croácia e México, então 11º e 14º colocados. A Noruega percorreu o extremo oposto: encarou França, Brasil e agora Inglaterra, três seleções que estavam entre as dez primeiras.
A rota relativamente confortável se tornou mais um ingrediente na crise de imagem enfrentada pela Argentina nesta Copa. O time passou a ser visto por torcedores, comentaristas e adversários como beneficiário de uma combinação de chave favorável, decisões controversas da arbitragem e do interesse comercial em manter Messi no torneio. Não há, porém, prova de manipulação do sorteio ou de corrupção arbitral.
As reclamações ganharam força depois da vitória argentina por 3 a 2 sobre o Egito. A federação egípcia apresentou uma queixa formal à Fifa e contestou decisões do VAR, incluindo a anulação de um gol de Mostafa Zico e um pedido de pênalti não atendido pouco antes do gol da virada. Ex-jogadores e comentaristas também questionaram a consistência das decisões.
A Fifa rejeita qualquer hipótese de favorecimento. Pierluigi Collina, responsável pela arbitragem da entidade, defendeu a independência dos juízes, enquanto o zagueiro argentino Lisandro Martínez classificou o trabalho dos árbitros como “excelente” e disse que a controvérsia foi ampliada pela imprensa.
O desgaste esportivo ocorre enquanto a Associação do Futebol Argentino enfrenta uma investigação separada sobre suas finanças. Autoridades estadunidenses apuram suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro em transações ligadas à entidade. A investigação não estabelece relação com a arbitragem ou com a montagem da chave da Copa, mas amplia o ambiente de desconfiança em torno do futebol argentino.
A Argentina não escolheu os adversários e só pode derrotar quem aparece em seu caminho. O problema para sua imagem é que cada vitória apertada, cada decisão contestada e cada novo rival fora da elite do ranking alimentam a mesma narrativa: a de que a despedida de Messi da Copa estaria recebendo da Fifa um tratamento que outras seleções não tiveram.