O presidente Lula afirmou neste domingo (2) que homens que agridem mulheres não precisam votar nele. Durante o discurso na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente voltou a defender o combate à violência de gênero e disse que seu governo continuará tratando o tema como prioridade.
Ao falar sobre políticas voltadas às mulheres, Lula reconheceu que o problema ainda está longe de ser solucionado, mas afirmou que houve avanços nos últimos anos. “Eu duvido que tenha alguém no Brasil que tenha feito o que nós fizemos. Fizemos tudo? Não. Lógico que não dá para fazer tudo, mas a gente vai caminhando. Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar no dia em que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher nesse país.”
Na sequência, o presidente afirmou que não pretende receber o apoio de homens que praticam violência contra mulheres. “O PT tem que ter coragem, o meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som. Não tem problema que eu perca algum voto, mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser.”
As declarações ocorreram durante a convenção realizada no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo. No evento, o PT oficializou a candidatura de Lula à reeleição, mantendo Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente e repetindo a chapa vencedora das eleições de 2022.
🚨AGORA – Lula diz que quem bate em mulher não precisa votar nele
“Se bater na mulher, não precisa votar em mim” pic.twitter.com/H5WLWJ9FGl
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) August 2, 2026
Além da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, a coligação de Lula conta com o apoio do PSB, PDT e da Federação PSOL/Rede. O encontro reuniu dirigentes partidários, ministros, parlamentares e representantes das legendas aliadas.
Durante a convenção, Lula voltou a apresentar a defesa da soberania nacional como um dos principais temas de sua campanha para as eleições de 2026. O presidente tem associado esse discurso às recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e às declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o país.
Nos últimos dias, integrantes do governo e da campanha também intensificaram o discurso de que a família Bolsonaro teria contribuído para o agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos. A estratégia faz parte da narrativa que o PT pretende explorar durante a campanha presidencial.
A convenção marcou o início da campanha de Lula em busca de um quarto mandato presidencial. Ao lado de aliados, o presidente apresentou as principais linhas de sua candidatura e voltou a defender ações voltadas para a proteção dos direitos das mulheres, o fortalecimento da soberania nacional e a continuidade das políticas implementadas durante seu terceiro mandato.