Estudantes da Universidade de São Paulo ocuparam nesta quinta-feira (7) o prédio central da reitoria, localizado na Cidade Universitária, no bairro do Butantã, na zona oeste de São Paulo. A ação ocorreu em meio à greve estudantil iniciada há cerca de três semanas e após o encerramento das negociações entre representantes do movimento estudantil e a administração da universidade.
Segundo relatos divulgados por integrantes do movimento, os portões da reitoria foram derrubados durante o protesto realizado no período da tarde. A mobilização contou com estudantes e membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A Polícia Militar do Estado de São Paulo foi acionada para acompanhar a ocorrência.
Desde as primeiras horas da manhã, manifestantes bloqueavam acessos ao prédio da reitoria. O cordão de isolamento em frente ao local começou a ser montado por volta das 5h. Durante a tarde, o protesto ganhou intensidade após estudantes afirmarem que não conseguiam mais diálogo com a administração da universidade desde a última semana.
Os estudantes afirmam que a ocupação tem como objetivo pressionar a universidade a retomar as negociações sobre a paralisação estudantil. Entre as principais reivindicações estão a reestatização dos bandejões, melhorias nas condições dos restaurantes universitários e aumento dos valores pagos pelo Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe).
A reitoria da USP já havia informado anteriormente que as negociações foram encerradas sem acordo total entre as partes. A universidade apresentou como proposta o reajuste dos auxílios do Papfe com base no índice IPC-FIPE.
Pela proposta apresentada, o auxílio integral passaria de R$ 885 para R$ 912 mensais. Já o benefício parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340. Atualmente, o programa atende mais de 17 mil estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Apesar da proposta da universidade, estudantes classificaram o reajuste como insuficiente diante do custo de vida em São Paulo. O movimento reivindica que a bolsa integral alcance cerca de R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
Os manifestantes também cobram ampliação das políticas de permanência estudantil e melhorias estruturais nos serviços oferecidos dentro da universidade. Até o momento, a administração da USP não informou se pretende reabrir oficialmente as negociações com os grevistas.
A ocupação da reitoria aumenta a tensão dentro da universidade e pode provocar novos desdobramentos nos próximos dias, incluindo impactos no calendário acadêmico e novas mobilizações estudantis.
Veja fotos da ocupação:




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