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Trump aprova acordo nuclear com Arábia Saudita que permite enriquecimento de urânio

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Trump aprova acordo nuclear com Arábia Saudita que permite enriquecimento de urânio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou um novo acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita que poderá autorizar o enriquecimento de urânio em território saudita, segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal e pelo New York Times. O pacto, ainda não anunciado oficialmente pela Casa Branca, pode ser assinado nos próximos dias e terá validade de 30 anos.

O entendimento prevê uma ampla parceria para o desenvolvimento do programa nuclear civil saudita, dando prioridade a empresas americanas na construção da infraestrutura necessária e reduzindo a participação de concorrentes estrangeiros.

O ponto mais controverso do acordo é a possibilidade de construção de uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita por empresas dos Estados Unidos. A medida dependeria da conclusão de um estudo conjunto entre os dois governos que ateste a necessidade dessa capacidade para o programa civil.

Temor de proliferação nuclear

Segundo as informações divulgadas pela imprensa americana, o governo Trump acredita que a participação direta de empresas e autoridades dos EUA permitirá maior supervisão sobre o programa saudita, reduzindo o risco de desvio para fins militares.

Mesmo assim, o acordo enfrenta resistência no Congresso americano. Parlamentares e especialistas em não proliferação alertam que permitir o enriquecimento de urânio em uma das regiões mais instáveis do mundo pode aumentar o risco de uma corrida armamentista no Oriente Médio.

Embora o enriquecimento de urânio não seja suficiente, por si só, para produzir uma arma nuclear, trata-se de uma das tecnologias fundamentais para que um país adquira essa capacidade.

Concessões de Trump preocupam especialistas

De acordo com o New York Times, Trump aceitou concessões para viabilizar o entendimento com Riad. Entre elas estaria a adoção de regras que poderiam limitar o acesso de inspetores internacionais a determinadas instalações nucleares, inclusive em casos de suspeita de desvio de material para um eventual programa militar.

As preocupações lembram os debates envolvendo o programa nuclear do Irã. Apesar da retomada das relações diplomáticas entre Teerã e Riad em 2023, os dois países continuam disputando influência política e militar na região após décadas de rivalidade.

Negociação atravessou governos

As negociações entre Washington e Riad sobre cooperação nuclear vêm sendo conduzidas há vários anos. Tanto a administração Trump quanto o governo do ex-presidente Joe Biden buscaram um acordo para compartilhar tecnologia nuclear americana com a Arábia Saudita.

O atual secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, já havia discutido uma proposta semelhante durante visita ao Oriente Médio em abril de 2025.

Em paralelo, os Estados Unidos tentaram negociar um amplo pacote estratégico que incluía a normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel, um acordo de segurança e apoio ao programa nuclear saudita. As conversas perderam força após o início da guerra na Faixa de Gaza, no fim de 2023.

Diferença em relação ao modelo dos Emirados Árabes

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman continua defendendo o desenvolvimento de um programa nuclear civil para o reino. Em 2018, afirmou que, caso o Irã obtivesse armas nucleares, a Arábia Saudita buscaria desenvolver seu próprio arsenal “o mais rápido possível”.

Especialistas destacam que o modelo discutido agora difere daquele firmado entre Washington e os Emirados Árabes Unidos. No chamado “Acordo 123”, que permitiu a construção da usina nuclear de Barakah, os Emirados renunciaram voluntariamente ao enriquecimento de urânio em seu território.

Para analistas de não proliferação, esse formato continua sendo considerado o padrão mais seguro para o desenvolvimento de programas nucleares civis sem aumentar os riscos de militarização.

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