Sem royalties: cidades podem lucrar com aeroportos e portos; veja

Expresso Rio
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Em meio à instabilidade dos royalties do petróleo, gestores públicos começam a apontar um novo caminho para cidades do interior do Rio de Janeiro e de todo o Brasil: a criação de fundos municipais voltados para investimentos em aeroportos e portos ativos capazes de gerar receita recorrente, atrair empresas e impulsionar economias locais.

A lógica por trás desse modelo é empresarial: transformar o município em um hub logístico. Diferente de obras públicas tradicionais, aeroportos e portos operam como verdadeiras empresas, com múltiplas fontes de receita.

Além das tarifas aeroportuárias e portuárias, há ganhos com:

aluguel de espaços comerciais

estacionamento

operações de carga

logística integrada

publicidade e concessões

Estudos mostram que receitas não operacionais como lojas e serviços já representam uma fatia crescente do faturamento aeroportuário global, ampliando a rentabilidade desses ativos.

No Brasil, o potencial financeiro é comprovado pelo interesse do setor privado. Concessões de grandes aeroportos chegaram a movimentar mais de R$ 21 bilhões em investimentos, com expectativa de retornos que podem alcançar até 50% ao longo do contrato.

Ou seja: trata-se de um ativo de longo prazo com alto potencial de geração de caixa.

O avanço desse modelo já é visível. O governo federal prevê mais de R$ 1,8 bilhão em investimentos em aeroportos regionais até 2027, incluindo cidades do interior como Campos dos Goytacazes e Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro.

Outro pacote recente ultrapassa R$ 5,7 bilhões, com impacto direto na capacidade operacional, elevando aeroportos que hoje movimentam 29 milhões para mais de 40 milhões de passageiros por ano.

Esse aumento não é apenas operacional ele representa crescimento direto de receita.

Um aeroporto regional estruturado pode gerar:

Receita anual direta (taxas e operações): R$ 10 milhões a R$ 50 milhões

Receita indireta (comércio, turismo e serviços): até 3x maior

Valorização imobiliária e industrial no entorno

Em contratos de concessão ou PPP, municípios podem ainda:

receber outorgas iniciais

participar do lucro operacional

arrecadar mais ISS e ICMS indiretos

No Norte Fluminense e em diversas regiões do Rio de Janeiro, a dependência dos royalties criou uma economia vulnerável. A queda na arrecadação em ciclos do petróleo já mostrou os riscos desse modelo.

Enquanto isso, cidades que investem em infraestrutura logística conseguem:

atrair indústrias

ampliar exportações

integrar-se a cadeias nacionais e internacionais

A própria política nacional de aviação regional reconhece esse papel estratégico, tratando aeroportos como vetores de desenvolvimento e redução de desigualdades regionais.

Além disso, consórcios privados já operam aeroportos municipais no Brasil, mostrando que o modelo é viável e replicável em escala local.

O grande erro de muitos municípios é tratar infraestrutura como gasto quando, na prática, aeroportos e portos devem ser vistos como ativos financeiros.

A cidade que investe nisso deixa de depender de uma única fonte de receita e passa a operar como uma “empresa territorial”, com:

diversificação econômica

previsibilidade de caixa

geração contínua de empregos

Esse modelo aproxima a gestão pública da lógica empresarial moderna: investir em ativos que geram retorno.

A criação de fundos municipais voltados para aeroportos e portos não é apenas uma alternativa é uma estratégia inteligente para cidades que querem crescer sem depender do petróleo.

Com planejamento técnico, governança e visão de longo prazo, municípios do Rio de Janeiro e do Brasil podem transformar infraestrutura em lucro, desenvolvimento e protagonismo econômico.

A pergunta que fica não é se esse modelo funciona os números mostram que sim.

O verdadeiro desafio é: quais cidades terão coragem de sair na frente?

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