O ator norte-americano Samuel L. Jackson, de 77 anos, provocou forte reação nas redes sociais ao compartilhar uma publicação que descreve a Argentina como “um dos países mais racistas do mundo”. A mensagem foi divulgada em seus Stories no Instagram durante a repercussão da final da Copa do Mundo de 2026 e gerou uma onda de críticas de torcedores argentinos.
A manifestação do astro de Hollywood chamou atenção porque utilizou um de seus personagens mais conhecidos para reforçar a mensagem. Jackson compartilhou uma captura de tela de uma publicação da SEC Black Alumni Network, organização que reúne ex-alunos afro-americanos de universidades dos Estados Unidos.
A imagem mostrava uma montagem de Stephen, o personagem interpretado por Jackson em Django Livre (2012), vestido com a camisa da seleção argentina. No filme de Quentin Tarantino, Stephen é um escravizado que apoia e protege o sistema escravista, tornando-se um símbolo de submissão aos opressores.
A publicação dizia: “Querida comunidade negra… Por favor, não torçam nem apoiem a Argentina para vencer a Copa do Mundo da FIFA. Historicamente, a Argentina foi um dos países mais racistas do mundo, senão o mais racista.”
Na sequência, a mensagem acrescentava: “Se você é uma pessoa negra e torce pela Argentina, é assim que eu vejo você. Vocês foram entenderam bem.”
Ao compartilhar o conteúdo sem comentários adicionais, Samuel L. Jackson passou a ser alvo de críticas de usuários argentinos, que vestiram a carapuça e o acusaram de disseminar desinformação e de reproduzir um estereótipo recorrente sobre o país.
Torcedores argentinos hostilizaram o streamer americano IShowSpeed com insultos e gestos discriminatórios. O caso ocorreu em 3 de julho e levou a FIFA a abrir uma investigação para apurar a conduta dos envolvidos.
Os episódios se somam a uma longa lista de denúncias de racismo. Na Libertadores, clubes brasileiros têm registrado repetidos casos de ofensas racistas, frequentemente envolvendo imitações de macacos e insultos dirigidos a jogadores e torcedores.
Em 2024, jogadores da seleção de Messi entoaram um canto ofensivo contra atletas franceses de ascendência africana durante as comemorações do título da Copa América.
Fora dos estádios, um caso de grande repercussão ocorreu no início de 2026. A turista argentina Agostina Páez foi presa em Ipanema, no Rio de Janeiro, acusada de injúria racial contra um funcionário de um bar. O episódio ganhou destaque na Argentina e foi explorado por integrantes da base política do presidente Javier Milei, entre eles a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que saiu em defesa da compatriota.