Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora brasileira em Washington, tornou-se o centro da nova crise entre Brasil e Estados Unidos após o governo de Donald Trump revogar seu visto. A medida foi utilizada para pressionar o governo Lula a aceitar Daniel Perez como representante estadunidense em Brasília.
Aos 72 anos, Viotti possui quase cinco décadas de carreira diplomática. Nascida em Belo Horizonte, ela concluiu o curso do Instituto Rio Branco em 1976, formou-se em Economia e fez pós-graduação na Universidade de Brasília.
Em 2023, tornou-se a primeira mulher indicada para comandar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Seu nome foi aprovado pelo Senado com 44 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção, e ela assumiu o posto em Washington em junho daquele ano.
A diplomata já ocupou algumas das posições mais relevantes da política externa brasileira. Entre 2007 e 2013, foi representante permanente do Brasil nas Nações Unidas e chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança durante os mandatos do país no colegiado.
Em fevereiro de 2011, Viotti presidiu o Conselho de Segurança da ONU. Posteriormente, foi embaixadora do Brasil na Alemanha, entre 2013 e 2016, e subsecretária-geral para Ásia e Pacífico no Itamaraty.
Sua experiência também ultrapassa a diplomacia brasileira. Entre 2017 e 2021, foi chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, uma das funções mais importantes da estrutura administrativa das Nações Unidas.
Nos Estados Unidos, Viotti assumiu a representação brasileira em um período marcado pela volta de Trump à Casa Branca, pelas pressões de aliados da família Bolsonaro e por disputas envolvendo tarifas, eleições e decisões do Judiciário brasileiro.
A revogação do visto não equivale à expulsão da embaixadora, que poderá permanecer nos Estados Unidos. A decisão, no entanto, atinge uma das diplomatas mais experientes do país e transforma uma representante com longa trajetória multilateral em alvo direto da pressão exercida por Washington sobre o governo brasileiro.