A Havan, rede varejista do empresário Luciano Hang, tornou-se a maior anunciante das afiliadas da Globo no primeiro semestre de 2026. Levantamento da agência Tunad, obtido pela coluna, mostra que a empresa liderou com folga os investimentos em publicidade nos intervalos locais das 118 emissoras parceiras da Globo espalhadas pelo país.
Segundo o F5, entre janeiro e junho, a Havan registrou 2.132 inserções comerciais durante telejornais e programas locais, o maior volume entre todos os anunciantes analisados.
Os comerciais se concentram principalmente nos telejornais regionais exibidos entre 6h e 8h30, das 11h45 às 13h e das 19h15 às 19h40, faixas de grande audiência entre consumidores das classes C, D e E, público considerado estratégico para a rede varejista.
Outro fator apontado para o volume de investimentos é a estratégia de expansão da Havan em cidades do interior e fora dos grandes centros urbanos. Nesses mercados, a televisão aberta continua sendo um dos principais veículos para alcançar consumidores em larga escala.
Apesar do forte investimento nas afiliadas da Globo, Luciano Hang afirma que mantém críticas ao jornalismo exibido em rede nacional pela emissora.
“A Havan não patrocina o jornalismo nacional da Globo porque entende que muitas reportagens vão contra o nosso pensamento”, declarou o empresário.
Hang afirmou ainda que não se sente representado pela cobertura dos telejornais nacionais e acusou a emissora de adotar “narrativas” e um posicionamento político diferente de suas ideias.
Em contrapartida, disse não ter objeções ao conteúdo produzido pelas emissoras regionais.
“Com relação aos jornais locais, nunca fomos contrários. Eles tratam dos assuntos de cada região, de cada cidade, e não temos objeção a esse tipo de cobertura”, afirmou.
Nos últimos meses, a Havan também ampliou sua presença comercial em outras plataformas da Globo, incluindo o patrocínio das transmissões da Copa do Mundo. Segundo Hang, os investimentos em publicidade cresceram cerca de 30% neste ano.
O empresário afirmou que a ampliação ocorreu em diferentes veículos de comunicação e sustentou que o aumento dos gastos com propaganda não representa uma mudança de posição em relação ao jornalismo nacional da Globo.