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Projeto transforma informação e acolhimento em rede de proteção para mulheres no Rio

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Projeto transforma informação e acolhimento em rede de proteção para mulheres no Rio

Em um cenário em que muitas mulheres ainda enfrentam violência, medo, abandono e dificuldade para acessar direitos, iniciativas de acolhimento podem representar o primeiro passo para uma mudança de vida. É nesse espaço que atua o Projeto Respeitar e Amar, idealizado por Viviane Carvalho, administradora, advogada e gestora pública, que transformou uma inquietação diante das dificuldades enfrentadas por mulheres em uma iniciativa de atuação social.

A proposta do projeto é levar informação, orientação e acolhimento para mulheres vítimas de diferentes formas de violência e também para mães atípicas, criando uma rede capaz de aproximar essas mulheres de seus direitos, dos serviços disponíveis e de pessoas dispostas a ajudá-las.

A atuação é itinerante e alcança diferentes municípios do Estado do Rio de Janeiro. O trabalho acontece por meio de palestras, rodas de conversa, ações sociais, campanhas educativas, eventos esportivos e atividades comunitárias.

Mais do que promover encontros, o projeto busca criar espaços em que as mulheres possam falar, ser ouvidas e compreender que não precisam enfrentar situações de vulnerabilidade sozinhas. A própria iniciativa define sua missão a partir de três verbos: acolher, orientar e informar.

Segundo Viviane, o projeto nasceu justamente da percepção de que existe uma distância entre conhecer um problema e conhecer os caminhos para enfrentá-lo.

“O projeto nasceu do desejo de transformar indignação em ação.”

Viviane Carvalho: da experiência profissional ao acolhimento nas ruas

À frente dessa rede está Viviane Carvalho. Administradora, advogada e gestora pública, ela também é esposa e mãe. Sua trajetória profissional, ligada à administração e às políticas públicas, ajudou a formar o olhar que hoje orienta o Projeto Respeitar e Amar.

Viviane conta que, ao longo da atuação profissional, percebeu que muitas pessoas conheciam os problemas que enfrentavam, mas não sabiam quais eram os direitos que poderiam reivindicar ou onde procurar ajuda.

Foi nesse contato com a realidade social que surgiu a vontade de transformar conhecimento técnico em ação direta. Ela também passou a conviver com histórias de mulheres vítimas de violência e de mães atípicas que precisavam, muitas vezes, de algo aparentemente simples, mas fundamental: alguém disposto a ouvir.

“O conhecimento salva vidas, que informação gera autonomia e que ninguém deve enfrentar suas lutas sozinho”, resume a idealizadora ao explicar a filosofia que orienta o projeto.

A escolha de sair dos espaços institucionais e chegar às ruas é uma das características mais marcantes da iniciativa. Em vez de esperar que as pessoas procurem ajuda, o projeto busca chegar até comunidades, escolas, instituições, empresas e espaços públicos onde a informação possa fazer diferença.

Essa estratégia também aparece em iniciativas como as caminhadas de esclarecimento, caravanas de conscientização, rodas de conversa e eventos voltados ao bem-estar e à integração das mulheres.

O Aulão das Mulheres, por exemplo, tornou-se uma das ações do projeto e já reuniu participantes em diferentes edições realizadas em Niterói, combinando atividades físicas, autocuidado, convivência e rodas de conversa. Em junho de 2026, a quarta edição foi realizada no Calçadão da Praia de Icaraí. As três primeiras edições haviam reunido mais de 1.200 mulheres.

O projeto também promove ações sociais com serviços e orientações diversas. Em julho, uma iniciativa realizada em Mundel, em São Gonçalo, ofereceu atendimentos e orientações nas áreas de saúde, psicologia, direito e documentação, além de serviços de cuidados pessoais.

Outro símbolo da atuação é a Tornozeleira Rosa, campanha de conscientização criada pelo projeto e que ganhou espaço no debate público sobre a proteção de mulheres vítimas de violência. A proposta chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por meio de um projeto de lei que prevê identificação visual diferenciada para equipamentos de monitoramento eletrônico utilizados por agressores submetidos a medidas judiciais.

Uma rede formada por mulheres que transformam acolhimento em ação

Por trás das ações do Projeto Respeitar e Amar existe uma rede de voluntárias que participa diretamente da organização, das atividades sociais e do acolhimento.

Uma delas é Daniela de Azevedo Abicalil, de 53 anos. Voluntária, ela atua principalmente na organização das ações sociais. Sua ligação com a causa, porém, ultrapassa o voluntariado: Daniela viveu uma experiência familiar marcada pela violência contra a mulher e também tem uma irmã especial.

Foi essa trajetória que a aproximou ainda mais da luta contra o feminicídio e da defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Para Daniela, uma das maiores forças do projeto está justamente na possibilidade de oferecer um suporte que muitas vezes não chega de maneira adequada a quem precisa. Ela considera fundamental a existência de uma rede capaz de oferecer orientação e encaminhamento nas áreas jurídica, social e psicológica.

O acolhimento que recebeu também passou a orientar sua forma de trabalhar. Para ela, o Projeto Respeitar e Amar se tornou uma espécie de “Família Solidária”, uma rede na qual as participantes sabem que podem contar umas com as outras.

Daniela faz um convite direto a quem ainda não conhece a iniciativa: conhecer o projeto e se tornar porta-voz da causa. A ideia é ampliar a corrente de pessoas dispostas a compartilhar informação e ajudar a construir uma rede de proteção.

Outra integrante é Natasha Moura da Fonseca, de 35 anos. Voluntária, ela participa da organização dos eventos, ajuda no acolhimento das mulheres e se coloca à disposição para atender às diferentes demandas que surgem no dia a dia.

Mãe de dois meninos, Natasha encontrou na causa também uma forma de contribuir para a formação dos próprios filhos. Para ela, mães têm um papel importante na construção de uma cultura baseada no respeito e na prevenção da violência.

Ela destaca a importância de ensinar desde cedo valores como respeito e a compreensão de que “não é não”.

Dentro do projeto, Natasha diz encontrar inspiração na força das próprias mulheres. Para ela, a união em torno de um objetivo comum mostra que, quando existe mobilização, é possível produzir mudanças.

Sua percepção sobre o acolhimento também passa pela necessidade de romper com a culpabilização das vítimas. Ao falar sobre mulheres vítimas de violência, ela defende que é preciso deixar de justificar o comportamento de quem agride e oferecer às vítimas condições para reconstruírem suas vidas.

Natasha também chama atenção para uma realidade muitas vezes invisibilizada: a sobrecarga das mães atípicas. Por trás da imagem de força e dedicação, existe uma mulher que também pode sentir cansaço, medo e necessidade de apoio.

Para ela, reconhecer essa dimensão humana é parte essencial do acolhimento.

Francisca das Neves Fernandes, de 44 anos, participa como voluntária levando informação, orientação e acolhimento às mulheres.

Sua motivação está diretamente relacionada à possibilidade de alcançar pessoas em situação de vulnerabilidade e ajudá-las a perceber que existem caminhos para sair de situações difíceis.

Francisca destaca a união das voluntárias em torno de um único propósito. Segundo ela, diariamente surgem novas mulheres dispostas a participar e descobrir a própria capacidade de transformação.

É justamente nas histórias de quem consegue romper situações de violência que ela encontra alguns dos momentos mais marcantes de sua atuação.

Quando uma mulher que foi vítima de violência conta que conseguiu colocar um ponto final em uma relação violenta, Francisca vê o resultado concreto do trabalho desenvolvido nas ruas.

Para ela, o significado do projeto pode ser resumido em uma palavra: vida.

“É isso que levamos para as ruas todos os dias, uma nova chance de vida para essas mulheres. Informação salva!”

Por que uma rede como essa faz diferença

O trabalho desenvolvido pelo Projeto Respeitar e Amar parte de uma constatação simples: informação, sozinha, pode não ser suficiente quando uma pessoa está com medo, fragilizada ou sem saber a quem recorrer.

Por isso, o projeto procura combinar informação com escuta e acolhimento. A proposta não é apenas falar sobre direitos, mas criar condições para que as mulheres compreendam que existem possibilidades de buscar ajuda e reconstruir suas trajetórias.

No caso das mães atípicas, a iniciativa amplia ainda mais essa perspectiva. Muitas mulheres enfrentam uma rotina marcada pela sobrecarga e pela necessidade de dedicar grande parte do tempo aos filhos, deixando as próprias necessidades em segundo plano.

A existência de uma rede de apoio pode ajudar a romper esse isolamento.

Viviane define acolher como “enxergar a pessoa antes do problema”. Para ela, isso significa ouvir sem julgamento, orientar com responsabilidade e caminhar ao lado de quem procura ajuda.

É uma filosofia que também aparece na experiência das voluntárias. Daniela encontrou no projeto uma rede de apoio; Natasha se inspira na força coletiva das mulheres; Francisca identifica nas histórias de superação a razão para continuar nas ruas.

E Viviane encontra nessas histórias a principal resposta para as dificuldades enfrentadas pelo projeto.

“Não existe reconhecimento maior do que saber que nosso trabalho contribuiu para mudar uma história.”

Ao longo de sua trajetória à frente da iniciativa, são justamente esses relatos que, segundo ela, dão sentido à caminhada. Mulheres que conseguem denunciar, recomeçar ou simplesmente recuperar a coragem para seguir em frente representam, para a idealizadora, a confirmação de que a proposta funciona.

A iniciativa afirma já ter alcançado mais de 100 mil pessoas por meio de suas ações. O número, segundo o projeto, representa não apenas participantes de eventos, mas pessoas que tiveram contato com informação, orientação e ações de conscientização.

A atuação do Respeitar e Amar também dialoga com outras iniciativas de proteção e cidadania. Em novembro de 2025, o já havia mostrado como o projeto estruturava ações de acolhimento, orientação jurídica e psicológica e campanhas educativas para mulheres vítimas de violência e mães atípicas.

Leia também: Novo projeto cria ações e atendimentos para vítimas de violência no Brasil

O trabalho desenvolvido pelas voluntárias mostra que a construção dessa rede não depende apenas de grandes estruturas. Ela também é formada por pessoas dispostas a doar tempo, conhecimento, experiência e disposição para ouvir.

É justamente essa soma que Viviane pretende ampliar.

Seu maior sonho para o futuro do Projeto Respeitar e Amar é fazer a iniciativa chegar a cada vez mais cidades, formar novas redes de acolhimento e inspirar outras pessoas a participar.

A ideia é que o projeto não seja apenas uma estrutura de atendimento, mas uma corrente que continue crescendo a partir de cada pessoa alcançada.

Para as mulheres que ainda têm medo de pedir ajuda, a mensagem da idealizadora é direta: “Você não está sozinha.”

E, para quem deseja participar, o convite é igualmente simples: conhecer o projeto, contribuir com tempo, conhecimento, divulgação ou apoio às ações.

Porque, na visão de Viviane e das mulheres que caminham ao seu lado, a transformação começa quando alguém decide não permanecer indiferente diante da dor do outro. O Projeto Respeitar e Amar nasceu dessa decisão. Nas ruas, nas comunidades, nas rodas de conversa e nas ações sociais, Viviane Carvalho e sua rede de voluntárias procuram transformar informação em autonomia, acolhimento em força e solidariedade em novas possibilidades de recomeço.

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