Um avião fabricado pela empresa brasileira Embraer foi utilizado pela American Airlines em um voo comercial inédito nos Estados Unidos com combustível sustentável de aviação eletrossintético, o eSAF. A operação reforça a possibilidade de adoção da tecnologia em maior escala para reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor aéreo.
O voo, realizado em parceria com a Infinium, saiu do Aeroporto Internacional de Corpus Christi e seguiu até o Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, ambos no Texas. A aeronave utilizada foi um Embraer E175-E1.
Um dos principais resultados da operação foi a demonstração de que o combustível sustentável pode ser incorporado às estruturas atualmente utilizadas pela aviação. O eSAF foi misturado ao querosene convencional e empregado sem necessidade de modificações nos motores do avião ou na infraestrutura de abastecimento dos aeroportos.
Combustível feito com gás carbônico e energia renovável
Produzido pela Infinium, o combustível utilizado no Embraer é obtido a partir de gás carbônico residual e eletricidade renovável. Segundo as empresas envolvidas, seu uso permite reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa em comparação com o querosene de aviação de origem fóssil.
O teste também demonstrou a compatibilidade do eSAF com a cadeia de distribuição já existente. Esse é um fator considerado importante para viabilizar a expansão comercial do combustível, uma vez que reduz a necessidade de investimentos em adaptações de aeronaves e sistemas de abastecimento.
A American Airlines mantém um acordo para a compra futura de volumes comerciais de eSAF produzido pela Infinium. A parceria integra a estratégia da companhia para diminuir as emissões relacionadas às viagens aéreas.
O CEO da American Airlines, Robert Isom, disse que o voo representa um momento significativo para a aviação. “Por meio da nossa parceria com a Infinium, estamos demonstrando como tecnologias de nova geração, como o eSAF, podem sair da fase de investimento inicial e chegar à aplicação prática, Desafio agora é ganhar escala”, afirmou.
Apesar do potencial, os combustíveis sustentáveis ainda representam uma parcela pequena do mercado. A aviação consome aproximadamente 100 bilhões de galões de combustível por ano, enquanto mais de 4 bilhões de passageiros são transportados globalmente. O SAF ainda corresponde a menos de 1% do consumo mundial de combustível de aviação.
Para Isom, aumentar a oferta e reduzir os custos será determinante para transformar experiências como a realizada com o avião da Embraer em uma solução de larga escala.
— Ampliar a produção de SAF a custos menores é essencial para reduzir emissões e fortalecer nossa competitividade de longo prazo”, finalizou o executivo. Com informações do jornal O Globo.