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Professora relata trauma após alunos colocarem vidro em copo com água em escola de São José dos Campos

Expresso Rio

Uma professora da rede municipal de ensino de São José dos Campos, no interior de São Paulo, tornou público o trauma vivido após descobrir que alunos haviam colocado fragmentos de vidro em seu copo de água durante uma aula. O caso ocorreu em uma escola municipal e resultou na suspensão de três estudantes, além do registro de boletim de ocorrência e da abertura de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

A docente, Michele Ramos, afirma que o episódio provocou um colapso emocional e agravou um quadro de ansiedade já enfrentado ao longo da carreira. Segundo seu relato, o caso representa um dos momentos mais difíceis desde que ingressou na educação pública.

De acordo com o relato da professora, o episódio aconteceu durante uma aula prática sobre o sistema sanguíneo para uma turma do 8º ano.

Enquanto preparava um microscópio e organizava lâminas de vidro sobre sua mesa, Michele pediu que um aluno enchesse seu copo com água. Ela permaneceu concentrada na atividade por cerca de 30 segundos e perdeu a visão da movimentação da sala.

Quando o estudante retornou com o copo, alguns colegas passaram a alertá-la para que não bebesse a água. Ao perguntar o motivo, ouviu que havia sido colocado vidro dentro do recipiente.

Imediatamente, a professora levou o copo até a direção da escola, solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança e informou que registraria um boletim de ocorrência. Segundo ela, os alunos permaneceram em silêncio naquele momento.

Pouco depois, um dos estudantes assumiu a autoria do ato. Conforme o relato da docente, ele afirmou ter colocado os fragmentos após incentivo de outro colega, enquanto um terceiro teria acobertado a situação.

A professora relata que, após descobrir o ocorrido, entrou em estado de choque e sofreu uma forte crise emocional ainda dentro da escola.

Ela foi substituída por outra docente e buscou atendimento médico, além de registrar a ocorrência junto às autoridades competentes.

Segundo Michele, o episódio foi reconhecido administrativamente como acidente de trabalho devido ao intenso impacto psicológico provocado pela situação.

A docente conta que já enfrentava dificuldades relacionadas à saúde mental desde os primeiros anos da carreira, convivendo com episódios de ansiedade, insônia e crises de pânico. Ela afirma que atualmente faz tratamento medicamentoso para conseguir exercer a profissão.

Após o ocorrido, publicou um vídeo nas redes sociais relatando a experiência. O desabafo repercutiu nacionalmente e recebeu manifestações de apoio de ex-alunos, professores e profissionais da educação de diferentes estados.

Segundo Michele Ramos, a Prefeitura de São José dos Campos ofereceu a possibilidade de transferência para outra unidade escolar. No entanto, ela afirma que ainda avalia se conseguirá retornar às atividades em sala de aula.

Em seu relato, a professora afirma que o maior receio é reviver situações semelhantes e enfrentar novamente crises relacionadas ao ambiente escolar.

Ela também defende que episódios de violência contra educadores precisam ser mais discutidos e registrados para subsidiar políticas públicas voltadas à proteção dos profissionais da educação e ao fortalecimento do apoio às escolas.

A docente destaca ainda a importância da participação das famílias na vida escolar dos estudantes e afirma que muitos professores enfrentam situações de desrespeito, agressões verbais e violência psicológica sem que esses casos tenham ampla visibilidade.

O caso reacendeu o debate sobre a segurança dos profissionais da educação, a saúde mental dos professores e os desafios enfrentados diariamente dentro das salas de aula. Enquanto a investigação sobre o episódio segue os trâmites legais e administrativos, a professora continua em acompanhamento médico e afirma que ainda busca forças para decidir se permanecerá na profissão que escolheu exercer.

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