PF investiga repasse milionário para campanha em Campos (RJ)

Expresso Rio
5 min de leitura
Imagem: Reprodução

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o deputado estadual Rodrigo Bacellar teria se comprometido a destinar R$ 2,9 milhões para financiar campanhas de aliados do deputado estadual Thiago Rangel, preso nesta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne.

Segundo os investigadores, parte do valor teria sido direcionada à campanha de Thamires Rangel, filha de Thiago Rangel, eleita vereadora em 2024 em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, aos 18 anos. Ela ficou conhecida como a vereadora mais jovem do Brasil. O montante também teria sido utilizado para impulsionar outros nomes ligados ao grupo político do parlamentar.

Trecho de documento que cita suposto financiamento eleitoral de R$ 2,9 milhões
Trecho do documento citado na investigação

De acordo com a Polícia Federal, as suspeitas surgem a partir de elementos compartilhados da Operação Postos de Midas, que já investigava um suposto esquema criminoso associado a Thiago Rangel. Para a corporação, há indícios de financiamento eleitoral ilícito, caracterizado como possível caixa dois.

Em documento enviado ao STF, a PF sustenta que há evidências de apoio financeiro irregular no valor de R$ 2,9 milhões, além de indícios de crimes graves relacionados à atuação do grupo. Os investigadores consideram o ponto relevante para demonstrar a conexão política entre Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel.

A apuração aponta que Rangel seria líder de uma organização criminosa suspeita de direcionar obras em escolas públicas do estado do Rio de Janeiro, desviar recursos e lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

A investigação ganhou força após a análise de um computador apreendido no gabinete de Bacellar em fases anteriores da operação. No equipamento, foi encontrada uma planilha intitulada “PEDIDOS EM 12-04-23”, que listava deputados estaduais acompanhados de anotações como “o que tem” e “o que está pedindo”.

Para a Polícia Federal, o conteúdo sugere negociações envolvendo indicação e ocupação de cargos em órgãos estratégicos do governo estadual. Entre os pontos citados, há indícios de influência de Thiago Rangel em estruturas como o Detran de Campos dos Goytacazes, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e o Ipem-RJ.

A partir do cruzamento dessas informações com outros dados da investigação, a PF passou a apurar possíveis desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, empresas e postos de combustíveis teriam sido utilizados para movimentar valores de origem suspeita.

Thamires Rangel também teve passagem recente pelo governo do estado. Ela ocupou o cargo de subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro aos 19 anos, durante a gestão do governador Cláudio Castro. Na semana passada, deixou a função após mudanças administrativas conduzidas pelo governador interino Ricardo Couto.

Rodrigo Bacellar, que já havia sido preso em fases anteriores da Operação Unha e Carne, teve um novo mandado de prisão preventiva expedido nesta etapa. Thiago Rangel também foi preso nesta terça-feira (5), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Além das prisões, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra investigados ligados ao esquema e determinou o afastamento de Thiago Rangel de suas funções públicas enquanto durarem as investigações.

Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro informou que está à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos. A defesa de Thiago Rangel declarou ter recebido a notícia com surpresa, afirmou que ainda analisa o conteúdo da investigação e reiterou que o parlamentar nega qualquer irregularidade.

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular. A Polícia Federal deve detalhar, nos próximos dias, o papel de cada envolvido no suposto esquema.

Fonte: Ururau

Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *