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PF investiga aplicação de R$ 107 milhões no Banco Master e mira ex-dirigentes de instituto previdenciário

Expresso Rio
Imagem: Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), a Operação Off-Balance, que investiga possíveis irregularidades em aplicações financeiras realizadas com recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, no interior de São Paulo. A apuração envolve cerca de R$ 107 milhões investidos em Letras Financeiras de bancos privados, incluindo o Banco Master.

Segundo a PF, os investimentos são alvo de investigação por suspeitas de gestão temerária e possíveis falhas técnicas na aplicação dos recursos públicos da previdência municipal. Parte dos valores teria sido aplicada entre outubro de 2023 e março de 2024.

A operação tem como principais alvos ex-dirigentes do instituto responsáveis pelas movimentações financeiras. São investigados Luiz Henrique Miranda Teixeira, então diretor-executivo; Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro; e Marcelo Ribas de Oliveira, ligado à área de benefícios da autarquia.

Policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo. As ordens judiciais foram expedidas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que também autorizou medidas cautelares, como afastamento de função pública e indisponibilidade de bens.

De acordo com as investigações, aproximadamente R$ 87 milhões teriam sido aplicados em letras financeiras do Banco Master. Após a liquidação da instituição financeira, o instituto previdenciário acabou perdendo os valores investidos.

A investigação também ocorre em meio ao avanço de outras apurações envolvendo o Banco Master. Nos últimos dias, a Polícia Federal realizou nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como alvo o senador Ciro Nogueira.

Segundo a PF, o empresário Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master, teria realizado repasses mensais ao parlamentar. Os valores, conforme a investigação, variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. O senador nega qualquer irregularidade.

A operação desta quarta-feira também trouxe repercussão política em São Paulo. O ex-prefeito de Cajamar, Danilo Joan, aliado político de Ciro Nogueira e atual vice-presidente estadual do PP paulista, não é alvo da investigação, segundo informações apuradas pela imprensa nacional.

As aplicações financeiras investigadas ocorreram durante o período em que Danilo Joan comandava a prefeitura do município. Na época, cabia ao chefe do Executivo municipal indicar os dirigentes do instituto previdenciário responsável pelos investimentos.

A Polícia Federal investiga agora se houve adoção de riscos incompatíveis, ausência de critérios técnicos ou outras irregularidades envolvendo recursos da previdência dos servidores municipais.

Em nota enviada anteriormente à imprensa, o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar afirmou que os investimentos foram realizados “com observância de rigorosas cautelas legais e análises técnicas”, destacando que, naquele momento, a instituição financeira era considerada sólida pelos órgãos reguladores.

Já Milton Marques Dias informou que todas as informações solicitadas pelas autoridades foram prestadas anteriormente. A reportagem não conseguiu contato com os demais investigados citados na operação.

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