O deputado estadual Thiago Rangel renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão foi comunicada ao plenário da Casa nesta quarta-feira (12), pouco mais de três meses depois de o parlamentar ter sido preso pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. Segundo informações oficiais do Supremo Tribunal Federal (STF), Rangel foi preso em 5 de maio de 2026, juntamente com outros investigados, em procedimento relacionado à apuração de supostas irregularidades envolvendo contratações na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
Durante a sessão da Alerj, o documento de renúncia foi lido pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que presidia os trabalhos. No texto apresentado ao Legislativo, Rangel declarou que a decisão foi tomada de maneira voluntária e que pretende dedicar-se integralmente à própria defesa no processo judicial. A saída do mandato não representa, por si só, reconhecimento das acusações investigadas, nem altera a necessidade de observância da presunção de inocência e do devido processo legal até eventual decisão judicial definitiva.
A Operação Unha e Carne investiga, conforme informações divulgadas pelo STF, suspeitas de fraude na aquisição de materiais e na execução de obras relacionadas à rede estadual de Educação. O Supremo informou que a prisão do parlamentar ocorreu no âmbito da Petição 15.926 e que a medida havia sido mantida judicialmente após a deflagração da operação. As investigações permanecem em andamento, e cabe às autoridades competentes definir eventual responsabilidade individual dos envolvidos a partir das provas reunidas.
O caso também passou a integrar o debate político e eleitoral do Rio de Janeiro. Nos últimos dias, houve divergências públicas sobre a origem das denúncias que levaram as suspeitas envolvendo Rangel ao conhecimento das autoridades. O episódio, no entanto, deve ser tratado separadamente da análise jurídica do caso: a autoria de denúncias ou comunicações aos órgãos de controle não equivale à comprovação dos fatos investigados, cuja apuração está sob responsabilidade da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Com a renúncia, a Alerj deverá cumprir os procedimentos regimentais relacionados à vacância definitiva da cadeira. Wellington José, primeiro suplente do partido pelo qual Rangel concorreu nas eleições de 2022, já vinha exercendo o mandato. A renúncia encerra a atuação parlamentar de Thiago Rangel nesta legislatura, mas não encerra nem interfere automaticamente nas investigações ou procedimentos judiciais em andamento.